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Mulheres adúlteras

por Nuno Castelo-Branco, em 25.10.17

 

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Sou tetraneto de uma famosa mulher adúltera que após a condenação, ainda por cima turvava a vista de todos os tagarelas da boa moral então imperante, fumando placidamente o seu charuto nas grades da Cadeia da Relação do Porto. Era uma provocação e deu brado, estando o seu conhecido amante a uns passos, ou seja, a umas tantas jaulas de distância. Mostrando o seu desprezo pela ficção da escandalosa causa, o próprio Rei D. Pedro V os visitaria in loco, fazendo passar a mensagem da realidade a uma sociedade bastante conservadora e eivada de maniazinhas e preconceitos que bastamente praticava às escondidas. Há que dizê-lo, estouro de orgulho por esta brilhante e adúltera antepassada. 

Nem sequer estava muito interessado em comentar algo que aparenta ser trivial e de vez em quando vem a público. Este estapafúrdio caso é um entre muito outros que para nosso embaraço colectivo, ainda sucedem com demasiada frequência.

Quem dos mais indignados já se sentou numa sala de audiências num tribunal que por cá é parte íntegra do Estado? Fi-lo diversas vezes, na sua maioria por mera curiosidade não apenas pelo decorrer das normalmente aborrecidíssimas sessões contínuas, como igualmente pelo rebuscado cerimonial das majestáticas entradas e saídas de um grupo de causídicos vestidos à maneira de D. Catarina de Áustria do quadro presente no Museu da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas sem aqueles galões e bordados dourados que António Moro tão bem pintou. Gosto de assistir a cerimónias solenes e quanto mais elaboradas, melhor. Dão sempre ideias para uma razoável pintura cerebral e afinal de contas, quanto mais imponentes e incompreensíveis, mais antigo é o Estado que as promove. Olhando num relance para as cerimónias deste estado de coisas, dir-se-ia ser Portugal o mais recente país do planeta.
Mesuras pontilhadas com apartes de nítido desprezo, fazem o pleno de alguns advogados mais experientes e com leitura de mundo. Outros limitam-se ao desfiar de pequenas ou grandes misérias, por vezes em monocórdicos textos sem grande preocupação de nitidez interpretativa e atrevo-me a dizê-lo, pejados com belos exemplares de outra imaginativa ortografia. Até nisto existe um certo interesse como espectáculo.

Estive uma única vez sentado diante de uma mesa de juízes, entre os quais se encontrava o J. R., velho conhecido de rambóias de outros tempos. Era então ouvido como uma das quarenta e tal testemunhas de um recorrente caso de usurpação de identidade com o paralelo aproveitamento de esbulho de bens de outrem, corriqueiras vigarices na passagem de cheques, enfim, o habitual neste esquema social vigente. Quando fui chamado, o J.R. fez um leve sorriso a que por mero decoro não respondi. O interrogante central era um conhecido insolente, arrogante, prepotente e iracundo exibicionista das barras de Lisboa, um tal Ricardo qualquer coisa que voltei muito mais tarde a rever numa entrevista televisiva com o seu característico lacinho, imagem tão de sua marca como a estrelinha do seu possível Benz ou quadrícula à guisa de brasão bávaro do BMW antracite de quatro portas. Como sou desde nascença e no mais puro sentido marxista-leninista-maoísta do termo um provocador militante, naquele dia tive a plena consciência de boa parte dos juízes obedecer à irmandade de um certo legalismo, resolvendo por isso mesmo colocar à lapela o émulo inverso daquele pin que o antigo primeiro-ministro Passos Coelho usou até à exaustão, ideia talvez por ele repescada dos documentários noticiosos Made in USA. Enfim, mais um fake entre tantos outros.

Falando comigo sem olhar para o meu focinho, o tal Sr. Dr. Ricardo não descolava os olhos da lapela, estava visivelmente incomodado e não tendo melhor ideia acerca do que fazer, resolveu caçoar do meu nome. Dei-lhe uma resposta de tal forma abrupta, seca e cheia de voluntárias e engraçadas indirectas que o pobre não teve meios  para me acusar de desrespeito para com o tribunal. Evidentemente, por toda a sala ouvia-se uma melodia em pianíssimo de risos abafados, entre os quais, os do J.R. que no fim da fastidiosa sessão, veio dizer-me que ..."deves ter enlouquecido em meter-te com este tipo". Foi uma pena à época não existirem Iphones, pois de imediato colocaria a cena no youtube e no feicebuque.

- "Pois quem se meteu comigo foi ele e não lhe disse nada que não precisasse de escutar".

Passando ao que interessa, a imensa maioria dos Meritíssimos é digna de todos os louvores, nem que seja pela supina paciência que demonstram perante ocorrências minúsculas que contam com centos de páginas de todo o tipo de alegações. Imaginem-vos naquele ordálio de casos e casinhos, todos eles tratados de forma relativamente exaustiva como um trato de polé, por vezes os melhores deles eivados de aspectos sórdidos para uns, excitantes para outros. Todos, queiram ou não queiram, acabam sempre por espreitar pelo buraquinho da fechadura e bem vistos os factos, os tribunais são locais excelentemente privilegiados como peep-show da sociedade, ainda por cima gratuitos e cerimoniosos.

Pelos vistos, o Estado Islâmico está a estabelecer poderosos caboucos para a futura implementação da sharia em Portugal. O Meritíssimo tripeiro também alegadamente terá referido outras culturas que na actualidade aplicam as medidas que ele próprio, pegando em textos empoeirados, exibe como coisas naturais e evidentes. Mais curioso é verificarmos que os mais estridentes protestantes pelo insulto, são precisamente aqueles a quem parece normal, em nome da abertura do próprio espiritozinho, a futura ..."aceitação de ordenamentos jurídicos paralelos que convivam normalmente num Estado de Direito que olhe com condescendência para todos os importantes contributos que as sociedades modernas forçosamente terão de receber". É mesmo inevitável e daí à burka vai apenas um passo, trata-se mesmo uma questão de tempo.

Uma desgraça nunca vem só.

publicado às 11:34

Cameron que dê atenção a isto

por Nuno Castelo-Branco, em 26.01.13

A situação está a tornar-se insustentável. Há que colocar um definitivo ponto final neste caso e se não for Cameron a fazê-lo, a alternativa poderá vir de outros sectores. 

publicado às 12:42

Uma Europa Islamizada?

por Samuel de Paiva Pires, em 23.08.11

Um excelente artigo de Rui Moreira, "A atracção fatal", de que aqui deixo alguns parágrafos:

 

 

 

 

 

«A tentativa, por parte dos defensores do multiculturalismo, de acusar os conservadores de cumplicidade na tragédia de Oslo, não é de todo justificada, e ignora os ventos que se fazem sentir pela Europa. Em Inglaterra, onde está em curso uma campanha para transformar várias cidades em estados islâmicos independentes em que a única lei que vigorará será a Sharia, começa a haver uma forte reacção à islamização descontrolada dos costumes.

 

Ora, se a Europa não tiver a coragem de exigir que as suas leis sejam acatadas por todos, se não exigir que a sua identidade cultural seja respeitada, se permitir que a sua tolerância seja abusada, o recrudescimento do nacionalismo será inevitável. E a partir desse momento será cada vez maior o perigo de se ultrapassarem as barreiras que separam sentimento nobres e elevados, como os de pertença a um país e a uma cultura, e de virem a revelar formas bem pouco dignas de xenofobia e de racismo facilmente conducentes a revoltas e a mais actos de terrorismo.»

publicado às 20:40






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