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Ele não gosta de ricos

por João Quaresma, em 15.05.12

Em 1976, quando François Hollande se apresentou para cumprir o Serviço Militar, nos exames físicos foi-lhe detectada miopia, o que levou a que fosse dispensado. No entanto, o jovem Hollande preparava já uma carreira política e estava consciente que o facto de não ter cumprido o Serviço Militar poderia prejudicá-lo mais tarde. Logo após se inscrever na ENA (École Nationale d'Administration, o principal viveiro da classe dirigente francesa) pediu um novo exame físico que desta vez lhe foi favorável. Incorporado, foi colocado com a patente de aspirante no 71º Regimento de Engenharia de Oissel, perto de Rouen, sua terra-natal.

Mas para isso teve antes que receber formação como oficial, ingressando na Academia Militar de Coetquidan, onde teve como colegas de pelotão de instrução Michel Sapin (também aluno da ENA; ministro em vários governos socialistas), Jean-Pierre Jouyet (colega de François Hollande, Ségolène Royal e Dominique de Villepin na ENA, Curso Voltaire; ex-chefe de gabinete de Jacques Delors na Comissão Europeia; ex-director do Tesouro; secretário pessoal do primeiro-ministro socialista Lionel Jospin aquando da adesão ao Euro; ex-presidente do Clube de Paris; ex-administrador não-executivo do Barclays Bank France; ex-chefe da Inspecção Geral de Finanças; ex-Secretário de Estado dos Assuntos Europeus do governo François Fillon; actual presidente da Autoridade dos Mercados Financeiros; casado com Brigitte Taittinger, da família dona da famosa marca de champanhe Taittinger) e Henri de Castries (Conde de Castries; colega de François Hollande na ENA, do mesmo Curso Voltaire [nome do curso escolhido pelos alunos]; ex-membro da direcção do Tesouro; inicia a carreira na seguradora AXA em 1989 e é CEO desde 2000; é director da Comissão de Coordenação do Clube de Bilderberg; próximo de Nicolas Sarkozy e de François Hollande; descendente do Marquês de Sade).

 

Como se vê, tudo gente de meios modestos e com um percurso de vida perfeitamente normal.

publicado às 00:20

Areia para os olhos

por P.F., em 10.06.10

Não são necessariamente poucos aqueles que são capazes de intuir e deduzir a situação que molda a realidade:

 

Como muito bem o lembrava, ainda no inicio do ano, Hubert Vedrine, conselheiro de Mitterrand e antigo ministro dos negócios estrangeiros de Lionel Jospin “Esta crise não é apenas mais uma crise económica. São as premissas de uma mutação de uma amplitude e duração imprevisíveis.”

 

No entanto, o logro vem logo a seguir em conjunto com a deformação de ideias muito comum no progressismo:

 

Convido-vos a fazer um pequeno exercício de memória e a recordar o muito que se disse e escreveu quando, em 2007, surgiu a crise dos subprimes, quando se deu a falência da Lehman Brothers em 2008, quando os primeiros ventos de pânico atingiram os mercados bolsistas. Muitos foram os que, perante o furacão que se abatera sobre a finança mundial, exigiram uma acção forte dos Estados e o regresso do pensamento político como essencial contraponto ao domínio absoluto da lógica economicista. A tão saudada eleição de Barak Obama também beneficiou dessa brutal tomada de consciência.

 

Quase nunca me dou ao exercício de ler certo tipo de blogs e de autores, pois tenho mais que fazer. Hoje o destino dos links levou-me para aqui. É um exercício curioso, ainda que algo agonizante, perceber o modo como o progressista furta os valores que não são dele de modo a caracterizar uma realidade que lhe é adversa - causada pela sua própria corrente ideológica - para depois vir com as eternas panaceias que já revelaram todos logros que têm vindo a afundar Portugal e a Europa. A ideia de que a "lógica economicista" tem o seu contraponto "na acção forte dos Estados" sustentada "no regresso do pensamento político" (como se este alguma vez se tivesse ido embora e não estivesse intimamente ligado à gradual ascensão dos mercados financeiros sobre as soberanias...) é atirar areia para os olhos, utilizando conceitos subvertidos de "pensamento político" e de "acção do Estado". Isto para lá de ignorar, por lapso ou propositadamente não interessa, as lacunas que minam a independência e a liberdade de acção executiva das soberanias europeias. Para lá de ignorar que tem sido o "pensamento político" das esquerdas que tem vindo contribuir para reduzir autoridade aos Estados soberanos, não tanto no aspecto do Estado-Governo e sua autoridade na Economia, mas sim nas instituições jurídicas e éticas que durante muito tempo regularam eficientemente os mercados.

 

E por fim, Eureka!, vem a eterna panaceia, já repetida vezes sem conta desde os tempos dos primeiros sovietes em Petrogrado:

 

Tenhamos esperança que neste violento ataque contra toda a ideia de Estado não haja qualquer intencionalidade mais perversa…E quando digo Estado digo poder politico face a um poder financeiro desabrido. Digo garante das liberdades fundamentais. Digo estado social, serviço público, educação, saúde e justiça. Digo solidariedade e complementaridade. Digo outra via que não seja esta permanente e doentia noção concorrência como regra exclusiva para a construção do bem-estar social. Digo social-democracia, a verdadeira!

 

Com a diferença de que muitos dos sociais-revolucionários que prenunciaram a Revolução de Outubro ainda tinham bem interiorizada a noção de Soberania, de serviço ao Povo e de Lealdade ao Soberano.

Enfim, a Leste nada de novo.

publicado às 17:37

Não, por acaso não, acho que não se deve bater às mulheres nem com uma flor (manda-se logo o vaso... :p), e além do mais, sou sportinguista. Mas, esta linguagem típica de grupúsculos de meninos adolescentes do MRPP, MES, PCP ou semelhantes (já que "pátria" parece que é coisa de grupúsculos de extrema-direita, vá-se lá saber porquê), deixa muito a desejar para um ministro, o dos Assuntos Parlamentares. Já agora, alguém sabe para que serve um ministro dos Assuntos Parlamentares? Para além de fazer propaganda descaradamente? Adiante, esta linguagem, acaba por não surpreender, vinda de quem vem:

 

Augusto Santos Silva desviou as atenções para a política em geral para dizer que os socialistas não pensam em coligações nem à direita nem à esquerda.


«Eu cá gosto é de malhar na direita e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS são das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheço e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chic», afirmou.

 

Mas, mais grave que isto, são estas afirmações:

 

Edmundo Pedro, histórico socialista, insistiu na critica à situação interna, alertando que há receio entre os militantes do PS.


«Verifiquei um total desinteresse, generalizado, notei outro fenómeno pessoas que estão no aparelho de Estado que me diziam 'não posso pronunciar-me, porque tenho medo', não é admissível no partido», adiantou.

 

Viva a Liberdade de Expressão, e o 25 de Abril, e a Democracia, e a República. Não haja dúvida, o que mais há por cá é liberdade de expressão...

publicado às 02:14

A respeito de Augusto Santos Silva

por Samuel de Paiva Pires, em 20.01.09

 O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, acusou hoje a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, de estar de "cabeça perdida" e de usar linguagem contra o Governo própria de "grupúsculos de extrema-direita". Ontem, no encerramento do XVIII Congresso do PSD/Açores, em Ponta Delgada, Manuela Ferreira Leite acusou o primeiro-ministro, José Sócrates, de ser "o coveiro da pátria".

 
Tolerância e liberdade de expressão são conceitos que já não se devem encontrar nos dicionários destes "resistentes ao fascismo", eles próprios cada vez mais a fascistizar-se. E, mais uma vez, aí estão eles em todo o seu esplendor a renegar  um conceito tão belo e que tantos já não sabem o que significa, pátria e amor a essa...
 
Se esta lista está correcta, se até já a nulidade periclitante que é Augusto Santos Silva, personalidade cuja aparência e forma de falar deixam logo antever a falta de escrúpulos e de educação e a mesquinhez própria da sapiência "pulhitiqueira", vai àquelas reuniões, quem é que vão mandar a seguir? A nulidade-mor do PS, Alberto Martins?

publicado às 22:52






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