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Sortie política

por John Wolf, em 18.06.13

Os políticos, e os partidos que os fizeram nascer, gostam de pautar as suas actuações por momentos de espectáculo e eventos em que prometem salvar o mundo de injustiças. Basta chegarmos ao fim do lindo mês de Agosto e lá chamam o Toy Carreira (ou como se chama ele), para animar as hostes reunidas numa Albufeira de segunda categoria que vai pelo nome de Quarteira. Depois há aquelas universidades de Verão, outra contradição académica que vai para o bosque discutir a relação entre a cigarra da política e a formiga trabalhadora. E nesta brochura desdobrável não faço distinções ideológicas. No folheto estão lá todos os partidos e sindicatos. Há algo para todos os feitios e gostos. Uns atrasados e outros do avante, quase sempre em Setembro. Por alguma razão que me escapa, quando marcam na agenda os dias de glorificação sectária, usam uma expressão francesa que vai pelo nome de rentrée. Não sei se é para ser mais chique, ou se é para soar a algo importado, mas a verdade é que lá temos nós de gramar essa reentrada, a entremeada que decorre entre um ciclo de governação e o próximo que se avizinha. Geralmente aparecem em palco uns gajos torradas pelo sol, ainda com dor de cotovelo pelo swing que o golfe impõe. Quando penso nessa brilhantina vem-me à memória um Deus, um João de Deus Pinheiro. Mas há tantos outros com a camisa aberta, a dar folga à gola e aos três primeiros botões da camisa, para gáudio de voyeurs de pelugem, decotes. Nesse auge, regado pela festa na praia do Gigi, sobressai a orgia de convicções, a barriga cheia a clamar pela justiça saciada pelo governo a morder os calcanhares da oposição, ou vice-versa. Este ano, ai daquele político que se aventure a achincalhar com o bronze temperado pelo clima ameno de sudoeste. Este ano não haverá rentrée. Neste início de época de veraneantes teremos uma outra sensação que poderemos baptizar de sortie. Decidi agora mesmo que será isso mesmo. Sortie. Uma saída de cena pouco airosa de todos os que se nos impuseram nos últimos tempos. A saída de emergência. É isso que a malta quer. Os que não vão para fora cá dentro, que não arredam pé da sua desgraça. Que todos eles desembarquem em Tânger e nos libertem da espessa neblina. Este Verão vamos inaugurar um período de nojo, içar no mastro os trapos da indignidade para que se lembrem, aquém e além-mar, da angústia de náufragos, dos que ficaram à beira-mar plantados à espera de melhores dias. Da maré de esperança. Engano de Setembro.

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publicado às 17:46





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