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O fel nunca foi bom conselheiro

por João Quaresma, em 05.07.13

«No tempo de António Guterres estavam em discussão duas linhas: Lisboa/Porto/Vigo e Lisboa/Porto/Madrid. Mas na cimeira luso-espanhola da Figueira da Foz em 2003, Durão Barroso e José Maria Aznar aprovaram as ligações Lisboa/Madrid e Porto/Vigo até 2010, Lisboa/Porto até 2013, e Aveiro/Salamanca até 2015. Condicionada a mais estudos ficava a quinta ligação, entre Faro e Huelva. O investimento totalizava nove mil milhões de euros, apenas em infra-estrutura, foi aprovado por proposta do então ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues. Na altura, Manuela Ferreira Leite era a ministra das Finanças e de Estado, considerada o número dois do Governo liderado por Durão Barroso, e não se lhe conhecem críticas públicas à decisão.»


Nas tribos primitivas é que uma das referências da comunidade é o feiticeiro ou a bruxa, figura reverenciada mais por temor do oculto do que por competência reconhecida, cujas leituras em entranhas ou interpretações das trovoadas são tidas como ciência exacta e condicionantes de todas as grandes opiniões e decisões.

Já vai sendo tempo de muita gente no PSD (e fora dele) evoluir para a Pós-História.

publicado às 14:58

Ainda o TGVê-se

por Nuno Castelo-Branco, em 08.02.13

A saga TGV ainda dará muito pano para mangas, umas de alpaca e outras de prestigitador. O governo afiança agora tratar-se de um assunto de mercadorias destinadas à Europa. O que não explica é a forma a adoptar para a sensibilização dos espanhóis. Sabendo-se que as autoridades têm em mente o desenvolvimento do porto de Sines, não será muito difícil adivinharms os obstáculos que os nossos vizinhos colocarão quanto às ligações e passagem pelo seu território. Alguém poderá explicar como poderá ser executado tal projecto?

 

Entretanto, o inefável Costas das demolições já abertamente assume a sua condição de advogado do diabo

publicado às 11:17

Uma rave party chamada TGV

por John Wolf, em 07.02.13

Devo ser mesmo burro. Devo ser um passageiro muito ingénuo. Não sei se estou a perceber bem. Fizeram um projecto para um comboio veloz, pediram guito emprestado a um amigo que ofereceu condições especiais. Decidiram acabar com a ideia do comboio, mas ficáram com o dinheiro que vai ser utilizado para pagar a dívida de um agarrado. Sim - agarrado -, quase que significa holding em Inglês! É isso? Então para começar também quero encomendar uma locomotiva. Deêm-me a massa e depois eu digo, pois e tal, afinal tenho aqui umas facturas para liquidar e como tal já não quero o comboio, mas o dinheiro dá mesmo jeito. Pelo que leio, a enfâse é colocada nas boas condições de crédito. Nas boas condições de crédito? Estão a gozar? Será que isso é argumento bastante para justificar seja o que fôr? Agora já falam em comboio de mercadorias de alta-velocidade. Que eu saiba, só pelo facto do material chegar mais depressa, não significa que a economia e o emprego também acelerem. A lógica de linhas estendidas tem de ser analisada. Não ouvimos outros chefes de estação em mandatos anteriores virem com este paleio? Não é verdade que a grande obra pública, que constitui o lançamento de uma linha de alta velocidade, significa também privilegiar certos grupos económicos? Distribuir carris pelos amigos? Pergunto quantos empregos serão gerados e de que forma um mero meio de transporte pode salvar um país? A alvorada da revolução industrial já foi há séculos e Portugal, à época, também perdeu esse comboio. Olho para esta conversa política do vai não vai, como se fosse um entroncamento que divide as hostes em Portugal. Este tipo de projecto não reúne os ingredientes necessários para galvanizar os Portugueses em torno da ideia de desígnio nacional. Antes de instalarem a canalização, tem de se saber o que vai ser fornecido. Será que a velocidade das exportações Portuguesas tem relação com o volume e qualidade das mesmas? A União Europeia tem vendido esta ideia ao longo dos anos. Mas os anos mudáram. A crise tornou-nos mais lentos. Estamos junto de apeadeiros e querem vender-nos  algo alucinante e muito caro, uma festa chamada RAVE.

publicado às 10:23

Empreitadas troikadas

por João Pinto Bastos, em 05.02.13

Eu cria, ingenuamente, que os nossos socialistas eram os maiores adeptos em solo nacional do "capitalismo empreiteiro", com a excepção, vá, de Cavaco e de Ferreira do Amaral, mas afinal enganei-me. Vítor Gaspar aderiu, ao que parece, às virtudes desse ecossistema financista. Quem diria, não é? O mago das finanças convertido aos delíquios que tramaram Sócrates. O que se seguirá? Um novo aeroporto em Serpa ou em Trancoso? Uma autoestrada entre Cabeceiras de Basto e Carrazeda de Ansiães? Caros portugueses, bem-vindos ao mundo encantado das obras públicas troikadas, com a chancela do Gasparzinho. Há interesses que não desarmam. Cruzes credo.

publicado às 22:18

Recordando um artigo por mim publicado em 11 de Maio de 2010 no Corta-Fitas:

"

Já que querem gastar dinheiro, ao menos façam as coisas bem feitas. São só mais uns quilometrozinhos, Engºs Mendonça e Sócrates até ao Pinhal Novo. Custa tanto a perceber o que se ganha com isso, poupando dinheiro e tempo às pessoas? Tudo isto para daqui a alguns meses nos virem dar razão como sucedeu com a OTA...

A estação do Pinhal Novo está a menos de meia hora de carro ou de comboio do centro de Lisboa. Para passageiros com destino à parte ocidental de Lisboa, à costa Sul ou ao Algarve, esta solução será muito mais vantajosa. Basta trazer o TGV do Poceirão ao Pinhal Novo para se poupar 2 mil milhões de Euros da ligação a Lisboa. São mais 14 quilómetros de linha de TGV que, no máximo, custarão apenas 40 a 45 milhões de euros. As duas localidades já estão ligadas por uma linha férrea tradicional, quase em linha recta, de tal maneira que do Pinhal Novo se podem ver os silos do Poceirão. Também aqui há largura de canal para construir as duas linhas linhas do TGV sem grandes expropriações.

A obra é quarenta e cinco vezes mais barata do que a Ponte sobre o Tejo. Assim, um passageiro que venha de Madrid demorará 2h45 minutos a chegar a Lisboa, se o comboio for directo, e apenas 2h33 a chegar ao Pinhal Novo. Menos 12 minutos. Para chegar à estação de Entrecampos, no centro de Lisboa, um passageiro que desembarque no Oriente demorará 22 minutos, 10 minutos do percurso Oriente / Entrecampos mais os 12 minutos que já vimos gastar a mais entre o Pinhal Novo e o Oriente. Ora a ligação directa da Fertagus entre o Pinhal Novo e Entrecampos faz-se em 30 minutos. São só oito minutos de diferença, mas custam 2 mil milhões de euros. Se o Pinhal Novo for utilizado como terminal do TGV ganha toda a zona Sul do País e em particular ganha o turismo do Algarve, que não tem ligações directas a Madrid.

Num projecto tão cheio de "especialistas", é assim tão difícil de entender? Arre..."

publicado às 10:16

Governo e "viver habitualmente"

por Nuno Castelo-Branco, em 18.01.12

Já cientes dos mensalões outorgados aos comparsas de viagem nas ex-empresas públicas, já saciados de notícia diz-desdiz via promessas eleitorais e ainda com o pestilencial 5 de Outubro debaixo das narinas, eis que voltamos aos métodos que todos abominavam no executivo de Sócrates. É mesmo verdade, estes arrelvados fulanos que de motas saltam a correr para limusinas, estes fedúncios que nos juraram enterrar de vez o famigerado TGV, aí estão novamente em toda a sua duplicidade, já tencionando apresentar o tal caminho de ferro da ruína, como coisa deveras necessária.

 

Não se iludam estes jardineiros de campos de golfe, pois as "comissões de obra" devem ter sido há muito atribuídas, daí o espernear dos antecessores, aflitos com as chantagens vindas da "Europa". Dali espremerão muito pouco, talvez uns lugares de gestão, como é costume.

 

A isto se chama "viver habitualmente", como dizia o outro. 

publicado às 22:49

Inacreditável, ao fim de 3 meses?!

por Nuno Castelo-Branco, em 07.10.11

Decididamente, esta gente não tem palavra. Após a algazarra em torno da infecta negociata que tresanda a incompetência, vigarice, cedência ao lóbi industrial estrangeiro e respectivas comissões pagas não se sabe bem onde, o governo vem agora dizer que mantem a ignominiosa porcaria TGV nos "traços gerais" do seu anteceor em S. Bento. 

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publicado às 11:55

Quando não há a noção do ridículo

por Pedro Quartin Graça, em 19.09.11

Governo estuda TGV em via única para cortar custo do projecto

A ser verdade é mais uma originalidade portuguesa. Mas daquelas que, francamente, se dispensa, De acordo com o jornal Público de hoje, o Governo está a estudar cenários para reduzir a participação do Estado no projecto da alta velocidade, mas já decidiu que este é para avançar pois, se o não fizer, haverá pagamento de indemnizações e perda de fundos comunitários.

A pressão internacional, tanto de Madrid como de Bruxelas, também pesou na decisão de mandar prosseguir com o TGV, embora se ensaie agora uma solução mais barata que permita salvar a face a Passos Coelho, que, durante a campanha eleitoral, era um feroz opositor do projecto.
De acordo com várias fontes ligadas ao processo, o cenário mais provável neste momento torna Portugal no primeiro país do mundo que terá um TGV em via única - em vez de uma via ascendente e outra descendente para que os comboios circulem nos dois sentidos, far-se-á uma linha de via única entre o Caia e Poceirão, com um pequeno troço em via dupla, entre Évora e Vendas Novas, para permitir cruzamentos.

Para além da triste e hilariante originalidade, de novo presente está o erro de manter a história do Poceirão quando há uma estação novinha em folha já feita: o PINHAL NOVO.

E, já agora, não se esqueçam de colocar uma cancela de abertura manual...

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publicado às 16:35

TGVêzada

por Nuno Castelo-Branco, em 28.04.11

Os espanhóis dizem que a sua linha de TGV em direcção à fronteira portuguesa, continua a ser construída a toda a velocidade. Pois assim bem podem esfalfar-se a "todo o vapor", tomando nota de por cá nem sequer querermos saber do caso, excluindo o caso de um ou outro alucinado*. Dado estarmos numa véspera bem britânica, simplesmente perguntamos:

 

Who cares?!

 

* Até já andam por aí umas más línguas insinuando que estas obsessões, se devem à necessidade de cumprir com acordos que meteram luvas até aos cotovelos. Será?

publicado às 13:27

Não há pão para malucos!

por Nuno Castelo-Branco, em 02.12.10

Acabou-se o "grande desígnio ibérico". Felizmente para Portugal e para os bolsos dos contribuintes, a FIFA, uma organização de duvidosa lisura, acabou por outorgar a organização do Mundial de 2018 à Rússia. Bem vistas as coisas, tal decisão consiste numa boa notícia.

 

Ao contrário daquilo que os "observadores" têm tentado transmitir à população, a organização do campeonato não seria gratuita. Ficando com apenas 1/3 dos jogos e nem sequer com a cerimónia de inauguração, Portugal estaria ao nível de qualquer província espanhola, completamente subalternizado e claro está, obrigado a garantir mais infra-estruturas necessárias para o bom funcionamento da prova. A "república" tinha a derradeira oportunidade das "favas contadas", preparando-se para exigir a rápida construção do TGV dos "adiantamentos comissionistas", além da terceira ponte sobre o Tejo e outras loucuras do estilo. Havia até, quem se preparasse para um longo período de "modernizações", melhoramentos e ampliações" de estádios, auto-estradas, terminais e outros bem conhecidos vaporizadores de dinheiro emprestado.

 

Ibérico? Fiquem-se pelo jamón.

 

Não haverá qualquer motivo para mais "patriotismo esférico", nem sequer para mais encomendas da desastrosa medonha às fábricas de Cantão. O processo de alienação terá de fazer uma pausa, mas quanto a este aspecto, estamos todos bem cientes da prodigiosa imaginação da gente que comanda. Sempre encontrarão algo que distraia as atenções.

 

Uma excelente notícia! Em suma, "não há pão para malucos"...

publicado às 16:35

As "comissões" pró-TGV

por Nuno Castelo-Branco, em 23.11.10

Pelos vistos e como habitualmente, o PSD caiu. Os senhores comissionistas do Centenário, devem estar a esfregar as mãos de contentes. Aí vem TGV(€)!

 

* Já agora, o futuro comandante da Armada, bem podia iniciar o seu mandato alinhando a esquadra no Tejo, fazendo hastear a Bandeira azul e branca  e exigindo a imediata entrada do FMI. Uns tiros de salva de honra bastariam, para uma correria geral aos heli-portos de certos palácios.

publicado às 20:21

FIFA, TGV e Mundial de Futebol Portugal-Espanha

por Nuno Castelo-Branco, em 17.11.10

Definitivamente, o TGV entra no esquema política-obras públicas-futebol. Só não vê, quem não quer e resta-nos esperar pelo apuramento da verdade, quanto ao caso dos subornos na FIFA. Livravam-nos de mais um problema. Começamos a desconfiar deste súbito interesse espanhol pela cadavérica centenária.

publicado às 18:52

Estão a perceber?

por Nuno Castelo-Branco, em 12.10.10

Lembram-se daquele debate, onde Manuela Ferreira Leite ia perdendo as estribeiras?

publicado às 20:08

José Sócrates vai repensar o aeroporto !

por Nuno Castelo-Branco, em 08.05.10

O Rei que fala pelo povo

 

Obrigado pelos factos e pelos "males que de longe vêem", o Senhor Primeiro-Ministro decidiu dar razão à esmagadora maioria dos seus compatriotas. Assim, vem garantir que muito provavelmente o há muito adiado e odiado aeroporto de Lisboa não será construído a breve prazo, evitando-se também a desastrosa terceira ponte que liquidaria uma boa parte da capital. Para mais, lá se vai a esperada negociata dos terrenos da Portela. Variando um pouco, eis uma sexta-feira de boas notícias. Os betoneiros, a Câmara Municipal, os comparsas gabineteiros de estudos, os acessórios assessores, os "comissionistas" e os agiotas da banca terão um péssimo fim de semana. Óptimo. Assim, terão uma excelente desculpa para uma dose reforçada da habitual Ketamina.

 

É sorte a mais: fracasso estrondoso do "Centenário", derrota previsível da "religião louca-laica" no boicote ao Papa e agora esta excelente notícia?

 

Já que estamos num anormal período de sensatez, o eng. José Sócrates poderia seguir o conselho de D. Duarte e aproveitar para fazer a estação de partida do TGV, no Pinhal Novo. Desta forma, a "inexplicavelmente idolatrada" obra raméssica, custaria metade do preço que alguns previam. Evidentemente, ficariam de fora as "comissões acordadas", as "derrapagens" e as "engenharias financeiras" em que o Esquema é perito. Para aborrecer ainda mais os calculistas planificadores da osmose de fundos em benefício próprio, o Rei de Portugal ainda propõe que as composições que rolarão a alta velocidade, sejam obrigatoriamente construídas no nosso país e por engenheiros e operários nacionais.

 

Um dia destes ainda veremos nos comícios do PC, a foice e o martelo substituídos pelas armas da Casa de Bragança.

publicado às 01:20

Quem quer o TGV, que os pague.

por Nuno Castelo-Branco, em 08.03.10

 

 

A grande notícia do dia: o TGV foi adiado por dois anos. O sr. Teixeira dos Santos deu a boa nova e assim, os portugueses poderão continuar a beneficiar dos tais preciosos "vinte minutos perdidos" que a agradável viagem entre Lisboa e o Porto proporcionavam. Em linguagem "luso-governês", o adiamento quer simplesmente dizer "já-mé".

 

Por outro lado, há que fazer as contas e olhar com circunspecção a histeria que vai para lá da fronteira norte. Quando há alguns dias o empresariado galego ameaçou devido ao fim das famigeradas SCUT no norte de Portugal, a pressão foi nítida e esperava-se a habitual cedência governamental, sempre receosa de tudo aquilo que aborreça Madrid. No caso do TGV Porto-Vigo, a parte a construir por Portugal representará cerca de 100Km, enquanto os espanhóis desembolsarão as verbas referentes a 25Km.  Compreende-se então a pressa toureira. Quem entra com a parte de leâo? Portugal.

 

Quem quer TGV's que os pague. 

 

Entretanto, já  temos notícias acerca do PEC: tímidos cortes nas despesas sumptuárias e de funcionamento do Estado (presidentes da república, ministros, deputados, secretários de Estado, directores e administradores do sector empresarial do Estado, comissões de estudos, Fundações, frotas automóveis, despesas de representação, etc): crescimento baixíssimo que impede a criação de emprego e esmaga as PME's através de inevitáveis aumentos de impostos, no conhecido círculo vicioso; persistência na loucura tegevista para Madrid; total ausência de um programa para a formação técnica dos desempregados, especialmente aqueles que hoje têm mais de 40 anos de idade e são mão de obra válida e desaproveitada; silêncio acerca das empresas do Estado que carecem de constantes injecções de capital público; silêncio acerca de um rápido programa de recuperação urbana, capaz de por si criar emprego, estimular a economia e não carecer de grandes investimentos públicos etc.

 

Pelo seu lado, aquele que chegou a ser apontado como futuro líder da oposição - o sr. Rui Rio -, reagiu tribalistamente à linha Porto-Galiza, atirando as sempre populistas achas para a fogueira anti-Lisboa. Não se excite o sr. Rio, porque na capital poucos quererão ouvir falar em terceiras travessias do Tejo, novas auto-estradas ou TGV para Madrid.

 

Como se esperava, este PEC fala de taxas e de despesa. Os cortes ficam para as PME's e pequenos contribuintes, ratoneiramente crismados de "médios". Esperemos pelas reacções externas.

publicado às 12:07

Pergunta urgente

por Nuno Castelo-Branco, em 18.09.09

 

 Sabendo que a projectada viagem TGV de Lisboa a Madrid demorará três horas e que até Paris decorrerão mais oito; sabendo que os preços de avião competem directamente com os do citado TGV, colocando-nos a TAP na capital francesa em cerca de duas horas, qual é a vantagem imediata do "foguete no rabo"? 

 

Onze horas TGV contra duas horas TAP, eis a questão essencial a colocar ao sr. primeiro-ministro. Com a elevação desejável, é claro.

publicado às 15:52

E Olivença, señor Vara?

por Nuno Castelo-Branco, em 14.09.09

 O presidente do governo autonómico da Extremadura espanhola, senhor Guillermo Fernández Vara, questiona acerca de ..."quem iria assinar acordos com um Estado que depois não cumpre os seus compromissos"?

 

Muitos países, praticamente todos, assim o diz a experiência da história.

 

Se o Sr. Vara está assim tão preocupado com a honorabilidade dos tratados internacionais, dê o exemplo: na Extremadura existe uma localidade que foi formalmente devolvida pela Espanha a Portugal, no Congresso de Viena em 1814-15. Madrid assinou o compromisso e jamais o cumpriu. Presidente da Autonomia Extremenha que administra a Vila de Olivença - e o seu termo -, o sr. Vara que inste junto do seu governo central., tornando as suas recentes declarações mais consentâneas com a reivindicada coerência.

 

Em matéria de não cumprimento de acordos inter-estatais, a Espanha é até, um dos Estados que mais prevarica. Ainda está bem presente a apressada retirada do Iraque, apesar do formal compromisso de Madrid. Apenas deixamos aqui este exemplo, para não recuarmos muito no tempo.

publicado às 17:58

A Louçã e às suas SA: Stop Hate Here!

por Nuno Castelo-Branco, em 14.09.09

 

 A campanha eleitoral teve o seu verdadeiro início no debate de Sábado à noite e deste, apenas retivemos a tirada de Manuela Ferreira Leite, referindo-se ao TGV. Soou a desabafo que avisa os portugueses para um estado de coisas que os últimos anos apenas têm agravado. Em alguns segundos fez o pleno de uma certeza de séculos, hoje habilidosamente escondida  por detrás do biombo da integração europeia. Contestada na  Irlanda, França, Dinamarca e Holanda, a "integração" pressupõe aquilo que muitos - a maioria - dos Estados não querem ceder, ou seja, a soberania, por mais residual que esta se tenha tornado.Os sectores de distribuição, largas extensões de terra alentejana, o imobiliário e agora de forma mais visível os media, têm sido "integrados" ao sabor das conveniências económicas e políticas de um vizinho cuja própria unidade se encontra numa fase de evolução e incógnita. Ferreira Leite fez bem e a prova disso mesmo, consistiu na imediata reacção do governo de Madrid e na mal disfarçada estupefacção do nosso primeiro-ministro. O TGV não é uma prioridade que todos sintam como inexcusável e muito pelo contrário, coloca questões às quais ainda não houve uma resposta que tranquilize a parte portuguesa do negócio:

1. Qual o verdadeiro preço do empreendimento e a utilidade de uma linha de Lisboa ao Porto, na qual se pouparão escassos minutos de viagem? Qual os preços das mesmas? Poderão concorrer satisfatoriamente com os actuais vôos low-cost?

2. Que consequências essa súbita proximidade entre Lisboa e Madrid não provocará o êxodo de empresas e até de representações diplomáticas, concentradas na capital espanhola por evidente racionalização de gastos e gestão de serviços?

3. Se a linha para Madrid servirá sobretudo para argumentar politicamente com o almejado contacto com a Europa além-Pirinéus, qual a real utilidade de linhas internas portuguesas que ao contrário de países como o Japão, não irão servir para o transporte de pessoal aos centros de trabalho e pelo contrário, terão infalivelmente de ser subsidiadas pelo Estado?

4. Liquidada - com a indiferença do governo - a empresa Bombardier que podia ter contribuído poderosamente para a construção de material ferroviário para esse "TGV", que interesse representará tal empreendimento para a nossa cada vez mais reduzida indústria?

 

Este seria um tema que os principais contendores deveriam exaustivamente abordar durante a campanha, para uma cabal avaliação popular daquilo que o interesse nacional deverá ditar às urnas. Até hoje, permanece no ar a desconfiança popular por um empreendimento que aparenta consistir numa promessa de benefícios evidentes para certos sectores que fazem a "navegação triangular" entre a banca, betão e política. O regime que prove o contrário!

 

O segundo caso, este praticamente despercebido após a fragorosa derrota louçanista no debate com o primeiro-ministro, consiste na acusação feita "à direita", de estar a promover uma "campanha de ódio" contra o Bloco de Esquerda. Curiosa lamúria, quando provém precisamente do partido que se especializou na pior forma de populismo que tão maus resultados teve na Europa do século XX. Há já uma década, o BE iniciou um ininterrupto programa de acicate ao ódio, inveja, suspeição e acusação de todo o tipo de iniquidades aos seus imaginados inimigos que grosso modo, correspondem a todas as outras forças políticas concorrentes. Ainda estão bem presentes as imagens do dia do Regicídio em 2008, quando no Terreiro do Paço um bando de energúmenos que fazem as vezes de tropas de choque bloquista - as SA de Louçã -, tentaram sem sucesso, perturbar a cerimónia de reparação nacional à memória das vítimas do 1º de Fevereiro. Seguiu-se o caso "Verde Eufémia", com o violento ataque à propriedade privada de um pequeno empresário, não se perdendo a oportunidade para a agressão física a quem corajosamente defendeu o seu trabalho. Seria curioso proceder ao visionamento dos videos disponíveis, para concluir até que ponto os "anarquistas do Bloco" e os "verde-eufemistas" coincidem na identidade. Já este ano, no 1º de Maio, assistiu-se ao deplorável e vergonhoso espectáculo do ataque a Vital Moreira, procurando um bem identificado membro da "juventude do BE", fazer cair o odioso da agressão sobre os sectores do PC presentes na manifestação da Intersindical. Caída a máscara - denunciada no 5 Dias e noutros blogues da esquerda -, regressou o silêncio comprometedor da imprensa colaboracionista, geralmente pertencente aos famigerados "grandes interesses" que Louçã tanto gosta de "denunciar".

 

O sr. Francisco A. Louçã diz-se vítima de ódio, procurando religiosamente alçar-se à categoria de mártir, talvez à semelhança dos seus compreensíveis "aliados tácticos e tácitos" do Médio Oriente. De facto, a última semana demonstrou que o Conducator do BE não tem relevância para suscitar mortal antipatia, descoberto que foi o seu calcanhar de Aquiles. No debate com Sócrates, o país ficou finalmente ciente de um programa caquético de cem anos e que pressupõe a acelerada passagem de Portugal para um fatal regime de atraso, bestialidade legislativa e repressão de todas as liberdades. Nada de novo, nada que não soubéssemos desde sempre. Mas a máscara caiu e mais vale tarde que nunca. O ódio de que Louçã fala, de facto existe: não contra este ou aquele menino de ouro,  privilegiado das sinecuras que o BE julga sempiternamente suas, mas um ódio visceral, profundo e invencível a tudo aquilo que um "regime BE" possa significar. Nisto Louçã tem carradas de razão. Não pode esperar que "a direita" - onde talvez até inclua o PC - se deixe levar mansamente em direcção ao matadouro. Pelo que parece, o Conducator perdeu as ilusões. Ainda bem.

 

Sr. Louçã, chegou a hora de Portugal inteiro lhe gritar um cosmopolita STOP HATE HERE!

publicado às 15:28

A entrevista de Sócrates para uma Lisboa Arruinada

por Nuno Castelo-Branco, em 22.04.09

 

 Chegar ao Porto dez minutos mais cedo, eis em resumo o que significa o mega-projecto do TGV. No exacto momento em que as cidades do país proporcionam um ridículo espectáculo de ruas esburacadas, prédios e casas a ameaçar derrocada, jardins ao abandono, transportes públicos deficientes e monumentos a carecer de intervenção urgente, as autoridades parecem querer insistir num erro vetusto de décadas. Se talvez se possa compreender a insistência na construção de uma linha de alta velocidade que nos ligue ao resto da Europa, as suas ramificações dentro do território nacional são por todos consideradas como teimoso desvario. 

 

Após a entrevista de ontem, o primeiro-ministro confirmou os piores receios, uma vez que se mostrou inamovível nas muito discutíveis opções de investimento. Continuamos então na senda das obras de fachada ao estilo aldeia de Potemkin, em vez de recuperarmos o imenso e quase fatalmente perdido património. As obras de pequena e média dimensão, proporcionam o trabalho de que as empresas tanto necessitam, dinamizando vendas, produção de materiais e consequentemente, ajudando a mitigar o problema do desemprego. Simultaneamente, prestar-se-ia um inestimável serviço a um país que pretende  apresentar-se ao mundo como um destino turístico de primeira categoria. Para assim ser, não basta desfiar-se um caricato rol de campos de golfe e hotéis de charme,ao mesmo tempo que se esquecem as praias poluídas e sem infraestruturas de acolhimento, ou as muito danificadas estradas secundárias que conduzem os visitantes ao apregoado turismo num interior praticamente desertificado.

 

Quem chega a Lisboa, depara com uma zona histórica cada vez mais invadida por intrusões da descaracterizadora especulação imobiliária, num galopante processo de suburbanização de toda a capital. Edifícios do Estado em ruínas - o Palácio da Ajuda, irónica sede da Cultura institucional é um ex-libris -, total desinteresse pela rápida recuperação das construções características de cada uma das zonas da cidade e destruição do espaço sagrado envolvente dos principais monumentos de Lisboa, são alguns dos problemas mais imediatos. Muito há para fazer, proporcionando o necessário trabalho por todos reclamado. Mas o programa parece ser outro, beneficiando uma vez mais, os interesses de uma restrita minoria.

 

Entretanto, a nossa Câmara Municipal de Lisboa, prossegue nas já sistemáticas malfeitorias e tem ainda o topete de se gabar através de cartazes que são um insulto à decência. Na foto acima, mais um prédio* que vai abaixo, na av. da república. Um dos últimos de uma outrora impressionante amostra daquilo que Lisboa foi há cem anos. É desencorajante.

 

 

 

*A antiga sede da Diese. Quantos lisboetas aí foram comprar produtos que ao tempo não existiam nos supermercados, como muesli, soja, bolachas integrais, etc?

publicado às 11:17

Apit'ó combóio!

por Nuno Castelo-Branco, em 19.09.08

O Governo está a desinvestir da ferrovia, apesar da procura estar a aumentar, fruto do aumento dos combustíveis. O único combóio que interessa é mesmo aquele para o qual se sabe à partida que nunca terá mercado viável: o TGV.

 

*Muito pertinente este post do João Quaresma. Estes negócios mirambolantes, remetem-nos directamente para aqueles dias de intenso fervor revolucionário, em que os pretensos governos  mfa vendiam vinho à URSS, abaixo dos preços de mercado. Solidariedades internacionalistas, presume-se...

publicado às 00:27






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