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Mania das grandezas

por Nuno Castelo-Branco, em 03.01.11

Os empafiosos vizinhos que temos, já puxam pelos galões e querem ver o espanhol como a segunda língua do Brasil. Coisa fácil, até porque conhecemos a facilidade que os falantes de português têm em usar outros idiomas, por mais difíceis que sejam.

 

O texto do El País, o jornal oficialista do regime de Madrid, diz que ..."agradó al Príncipe el empeño de la nueva presidenta en el impulso al crecimiento del país que pueden dar cada día con mayor fuerza las empresas españolas, así como salió muy satisfecho con la promesa de Dilma de impulsar aun más el estudio del español en Brasil para convertir al país en bilingüe portugués español." Daqui a uns dias, ninguém se admirará se o mesmo diário designar o Brasil como "una antigua possession de España", tal como a TVE fez, quando da passagem de Macau para a administração chinesa. No caso macaense, o pretexto consistiu numa passagem ao de leve pela chamada união ibérica de 1580-1640. Há gente para tudo e os nossos vizinhos, são nisto imbatíveis.

 

O governo espanhol deveria ter mais atenção à protecção do idioma castelhano nos países limítrofes do Brasil, pois a a invasão do português parece ser uma ameaça bem maior que aquela com que o El País sonha: Uruguai, Argentina e Paraguai - para não citarmos outros -, são "casos preocupantes" para a exclusividade cervantina naquelas paragens. Pior ainda, dentro do próprio Reino, a região da Galiza exige a adopção do ensino do português, como língua obrigatória nas suas escolas e o caso catalão nem sequer merecerá qualquer comentário.

 

Entretanto, um aparentemente assíduo leitor dos blogues monárquicos, diz agora que o Brasil é uma prioridade, já indo bem longe, os ventos do "Espanha, Espanha, Espanha". Boa viagem.

publicado às 13:38

Luís Filipe Menezes, "el autónomo doctor"

por Nuno Castelo-Branco, em 03.04.10

Os opinioneiros de serviço têm destas coisas. Quando nada existe para preencher a agenda própria de alçamento de suas excelsas personalidades, dedicam-se a temas para os quais não possuem a mais insignificante base de sustentação, seja ela histórica ou objecto da reflexão da economia, finanças ou de uma apressada leitura de um textozito de ciência política. Importa é falar de barato e sem tino.

 

Num amontoado de lugares comuns para comedor de tremoços e fã de cervejola  ler antes do início da partida, o sr. Menezes decidiu-se agora e de forma desabrida, pelo iberismo. Esperar-se-ia o desvendar de um aturado estudo da situação nacional e a apresentação das claras e indesmentíveis vantagens de uma união ibérica que embora não seja corajosamente assumida pelo edil-escriba, é implícita no seu texto hoje publicado no oficialista Diário de Notícias. Ninguém quer perspectivar um futuro bastante hipotético, através da reedição de um salto das alturas de uma varanda de edifício público. A coragem não chega para tanto.

 

O excelentíssimo senhor doutor Luís Filipe Menezes, começa por alertar-nos para o sonhado El Dorado prometido por um colossal mercado ibérico de 52 milhões de consumidores, como se ambos os países não estivessem integrados num espaço bem mais vasto de 500 milhões que conformam a União Europeia. Assim, o sr. Menezes confirma aquele provincianismo que todos  - mesmo os nortenhos - lhe apontaram quando das suas veleidades em tornar-se no grande chefe primo-ministeriável da nação. É-lhe completamente indiferente ou desconhecida, a actual situação de aguda crise interna - não apenas financeira, mas igualmente económica e política que o país vizinho atravessa -, encolhendo os ombros perante a evidência da dificuldade de penetração das empresas portuguesas em Espanha. Diga o alcaide da cidade fronteira ao Porto, quantas obras públicas foram adjudicadas a concorrentes empresas portuguesas. Terá um lampejo, mesmo que fugaz, acerca das dificuldades encontradas pelos portugueses na compra de empresas, joint-ventures ou até, na garantia dos Direitos do Trabalho em Espanha? Aparentemente, não, nem isso tem qualquer relevância.

 

Inevitavelmente, sugere  como xeque-mate (ou cheque?), a estafada questão de Aljubarrota. Agora, chegou o ajuste de contas, o "acertar baterias (sic) para vencer a Aljubarrota dos nossos dias." Como se todo o contencioso inter-ibérico se resumisse ao episódio  determinante mas não completamente decisivo da farta peleja ocorrida no campo de S. Jorge. Assim, Luís Filipe Menezes tudo está disposto a ceder e sem o saber, reconhece a ambição vizinha pelos nossos portos de de Lisboa, Sines e Leixões. Tudo oferece e escancara as portas de Portugal a bem dos negócios que não explicita mas que facilmente adivinhamos. Da agricultura tem aquela visão do "barato e bom que concorre e ganha", como se não existissem circuitos de distribuição e um proteccionismo descarado e contra o qual é difícil, senão impossível, erguer qualquer defesa consistente. No mundo do delírio talvez derivado dos eflúvios vinháticos das caves à beira Douro, garante que os espanhóis preferirão os quadros portugueses, ..."se eles forem mais preparados para ganhar a batalha da competitividade", o que logicamente ..."pressupõe políticas consequentes (...) progressiva harmonização fiscal ibérica, desenvolvimento competitivo (?) do interior, aposta radical na frente marítima", onde os portugueses atirariam ás urtigas a defesa da salubridade do seu ambiente político e das suas cidades, fazendo vista grossa perante ..."a altura das paletes de contentores", ressalvando - haja Deus ! - a nossa competência em línguas que sugerindo um golpe da magistral magia do professor Mandrake, colocaria os portugueses a dirigir o conjunto hispânico. É certo que pouco interessa o fluxo migratório que da América do Sul e da Índia, preenche à saciedade e de forma caudalosa e barata, as necessidades no campo da informática, outros serviços e nos alardeados call-centers da moda. Dez milhões de portugueses, são assim mais que suficientes para reduzir a zero, um bilião de indianos, por exemplo.

 

Mas usando as suas próprias palavras,  "passemos a exemplos perceptíveis". E quais são eles? Apenas um: o futebol! No fundo, destes agentes cíclicos que protagonizam as alternativas expostas pelo regime, pouco ou nada mais há a esperar.

 

Afinal de contas, o pacovismo enaltecido em doutoral pergaminho passado em nome de Hipócrates, resume-se à questão da bola e estádio para todos e garante o reforço da ..."nossa auto-estima resultante do sucesso a uma escala mundial (...), mais vitoriosos, mais orgulhosos e assim  ainda mais patriotas e saudavelmente nacionalistas".

 

O sr. de Menezes deve andar obcecado com as visualizações da histeria semanalmente debitada no Camp Nou. Pobre diabo.

 

Os chavões históricos são parcos na pajela capciosamente guardada na carteira de Luís Filipe Menezes. Portugal resume-se a Aljubarrota e ao atribuído dito do ..."antes rainha uma hora do que duquesa durante um século" (sic).  Esmagadora sageja, irrecusável argumento final da sua Totaller krieg, kuerzeste Krieg.

 

Tal como antes da adesão à defunta CEE, agora acenam-nos com um iberismo que por si nos garantirá um ..."futuro de prosperidade (que) ainda está nas nossas mãos." Menezes já sonha com ..."receitas de merchandising" futeboleiro e com as cidades portuguesas semanalmente inundadas de catalães, madridistas - os madrilenos desapareceram -, bascos, valencianos e galegos, que acompanhariam em massa as suas equipas". Belo turismo este, capaz de nos encher hotéis, museus e salas de espectáculo. Aliás, o último jogo em Lisboa que fez defrontar à pedrada os belicosos adeptos do A.M. com os surpreendidos anfitriões do Sporting, consiste numa pequena amostra daquilo que o dr. Menezes classifica de "desenvolvimento turístico fulminante."

 

Termina o excelentíssimo autarca da nação, senhor doutor Luís Filipe Menezes, com um post-scriptum apontando a necessidade da opção portuguesa ..."pela riqueza fruto da afirmação universalista e inteligente (...), uma liga nacional de 10 clubes elegeria o clube que substituiria o mais mal classificado na tal liga ibérica (...) e até essa passaria a ter estádios cheios e um mercado interessante".

 

Foi presidente do PSD. Foi pretendente ao exercício do cargo de 1º ministro de Portugal e quem sabe?, um potencial aspirante a voos mais altos, fossem eles propiciados pela aviónica que o faria aterrar num qualquer posto de arribação disponível na UE, ou até, suprema honra!, ao lugar de presidente de uma Junta Autónoma de um Portugal finalmente balcanizado e reduzido a nada.

 

Em suma, são estes, os grandes quadros da República em asinina festança comemorativa. Pobre país.

publicado às 21:54

A "União Ibérica"

por P.F., em 07.03.10
Milhares contra lei do aborto em Espanha Espanhóis protestam nas ruas madrilenas. Em causa está a recente aprovação de uma lei que permite às mulheres abortarem até às 14 semanas de gestação. !Vida sim, aborto não!, !Aborto é assassínio!" ou !Zapatero: demissão! foram frases de protesto que se ouviram repetidamente esta tarde na capital espanhola. Cerca de 600 mil manifestantes saíram à rua para mostrar o seu descontentamento em relação à nova lei do aborto, aprovada a 24 de Fevereiro. ... Para além de permitir a interrupção da gravidez até às 14 semanas, a nova lei prolonga até às 22 semanas o prazo limite para aborto em caso de a gravidez pôr em risco a vida ou a saúde da mulher. Foi ainda decidido que menores a partir dos 16 anos poderão decidir sozinhas se querem ou não interromper a gravidez, tendo apenas que informar um dos pais ou o tutor.
 
Há coisas nas quais a "União Ibérica" está estabelecida: na luta contra vida, nas políticas despesistas e irresponsáveis e no estatismo controleiro e manipulador da economia e das mentalidades. As consequências demográficas, morais e sociais fazem-se sentir num ápice.
Não parece, assim, nada à toa, e os 'especialistas' corroboram-no, que em Espanha - que é dizer na Península...- está situado, actualmente, o núcleo principal da crise económica mundial. Aquilo que é da economia afecta tudo o resto e o inverso não é menos verdade. Os efeitos estão à vista de todos e as causas apenas ocultas na cegueira do socialismo e nos seus pressupostos (i)morais e (in)éticos.

publicado às 19:09

Resposta a López Garrido: não.

por Nuno Castelo-Branco, em 23.12.09

 

 

Aterradas pelo desagregador processo de autonomias, as autoridades espanholas procuram convencer a sua opinião pública, da inevitabilidade de um futuro Estado unificado peninsular, ainda que para tal procure novas soluções integracionistas. Uma delas, consiste no acenar da cooperação transfronteiriça e os exemplos mais marcantes residem na Extremadura-Alentejo e Galiza-Minho-Trás os Montes. Os governos autónomos das províncias limítrofes, têm desenvolvido intensa actividade aliciadora nas franjas da fronteira portuguesa, desde o sector empresarial, até à saúde, educação, etc. 

 

O plano é conhecido e oferece uma miríade de possibilidades de condicionamento da vontade de resistir das autoridades portuguesas, geralmente radicadas nos centros de decisão longe da fronteira. A questão das águas, os portos de escoamento ou entrada de mercadorias, as vias de comunicação e agora, as universidades, são alguns dos aspectos que têm merecido uma especial atenção por parte dos espanhóis. No meio de uma tremenda crise económica e financeira, as autoridades de Lisboa têm contemporizado, vendo logicamente em Espanha, um motor da nossa debilitada economia que no país vizinho, tem agora o seu maior parceiro. Um erro de mais de duas décadas que ameaça a autonomia de Portugal.

 

 A proposta de institucionalização de uma versão do Benelux entre Espanha e Portugal, pode satisfazer as necessidades internas dos nossos vizinhos, convencendo finalmente catalães, bascos ou o recente arrivismo galego, da necessidade material  da pertença a um espaço económico com claros reflexos políticos. Mas os espanhóis querem ir mais longe que aquilo que o dito Benelux supõe e todos sabemos o que tal significa. No entanto, o que os nossos vizinhos não parece quererem reconhecer, é o interesse nacional português, cada vez mais indeciso perante uma Europa que já nos proporcionou melhores dias e as possibilidades que surgem de novo, daquelas áreas do planeta com as quais mantivemos uma convivência de séculos. Portugal não é uma Catalunha e muito menos ainda, um País Basco.

 

Conhecendo e aproveitando o estertor desta fase do regime português, a Espanha ataca e quer convencer com as vantagens materiais que só podem ser lobrigadas pelos sectores financeiros/empresariais, perante os quais a população portuguesa nutre bem fundamentadas suspeitas. Antecipando-se ao que eventualmente possa suceder a médio prazo, Madrid vê a grande oportunidade que pelo menos, adie um desenlace que muitos adivinham. 

 

Sendo absolutamente indesejável para  a segurança de Portugal, a ameaça da balcanização de Espanha poderá significar um risco agravado de arremetidas a que a nossa irresponsável e fraca classe política, poderá não ser capaz de dar resposta. Resta-nos a esperança da súbita reacção popular que a todos poderá surpreender.

publicado às 13:56

O devorismo "Pinchador" do P S O E

por Nuno Castelo-Branco, em 04.09.09

 

 

O caso da semana e da abertura da campanha eleitoral, é sem qualquer hesitação, o do saneamento de Manuela Moura Guedes. Jamais concordei com um certo tipo de jornalismo personalizado por aqueles que hoje denominados de pivots, se arrogam do direito que ultrapassa largamente a irreverência ou o atrevimento compatíveis com uma informação livre.  

Todos se recordarão de episódios mais ou menos pitorescos de um arrivismo "para se salientar", protagonizados por uma Maria Elisa, Paula Moura Pinheiro ou Margarida Marante. Agressividade e elementar falta de educação ou mera cortesia, começaram a tornar-se num hábito que ia ao encontro da mole de espectadores à espera de uns "valentes bofetões" em qualquer um dos imaginados poderosos que regem os nossos destinos. Passando sobre a deplorável e por vezes patética prestação da sra. Judite de Sousa (Seara)- a eterna e medrosa louvaminhas da esquerda caviar -, o que hoje temos, não consiste num vulgar render da guarda no telejornal da TVI que aos poucos se foi transformando numa sucursal de lavandaria de bairro. Nada disso.

 

O que está por detrás deste verdadeiro saneamento, é a poderosa, corruptora e prepotente mão estrangeira que muito bem tem gerido o processo de intervenção dentro das nossas fronteiras. Não é por acaso que quase trimestralmente surgem notícias de sondagens dentro e fora de portas, no sentido de inquirir acerca da vontade dos "ibéricos" em atingir a unificação peninsular. Imaginemos procedimentos destes por parte de Berlim, visando a independência austríaca! Impensáveis e suscitadores de ruidosa ressonância internacional, mesmo tratando-se da Áustria, um país completamente alemão. 

 

Não se trata de uma rotineira paranóia de um punhado de lusitanos agarrados à memória de perdidas glórias nacionais, mas de uma realidade bem palpável e tão mais acintosa porque evidente, repetida e cada vez mais brutal e desavergonhada. Sondagens que consistem num claro desprezo e insulto à soberania nacional - sem a mínima reacção governamental portuguesa -, tentativas claras de alargamento do controlo espanhol sobre as nossas águas - a sempre presente ameaça de anexação das Selvagens por abandono de Lisboa -, a pressão na NATO que visa ir retirando as tradicionais atribuições próprias de um dos membros fundadores, ou para não nos alongarmos, a descarada propaganda que chega ao ponto de ser transmitida pela televisão do Estado, a RTP, onde um programa Prós e Contras passa mais de duas horas a esgrimir argumentos todos eles coincidentes no sentido da "irreversibilidade" da perda da independência nacional, desta vez disfarçada pela chamada União Europeia. Os "empresários de sucesso", os novos agentes do gesticulado futuro em comum, fazem agora as vezes dos políticos que na sombra ficam, evitando reacções prejudiciais por parte de um eleitorado que subitamente pode tornar-se mais atento.

 

A TVI é hoje propriedade do Partido Socialista Operário Espanhol - PSOE -, talvez o mais desleal, corrupto, mafioso, prepotente e inepto partido socialista da Europa ocidental. Possui um longo e vergonhoso currículo de péssima gestão da unidade de Espanha e as suas cúpulas oriundas dos tempos da Transición, foram sendo eliminadas por acusação de participação em todo o tipo de negócios obscuros, conspirações e ilegalidades. Sabemos como terminou o consulado do senhor Felipe González, afundado num mar de lama, agiotagem e habilidades económicas na alta finança plutocrática. Desleal aos compromissos internacionais - a NATO, por exemplo -; desleal ao próprio eleitorado pela evidente dependência face à grande finança; desleal ao preceituado constitucional, por permitir a subversão interna. Conhecemos hoje o escandaloso trabalho de sapa que Zapatero apascenta aos que pretendem destruir as instituições, abrindo o caminho a todo o tipo de aventuras cujo fim, de tão conhecido e repetido pela história, é previsível. 

 

A mão suja, compradora e pesada do PSOE já chegou à capital portuguesa, impondo as regras de um jogo inaceitável. Pior que tudo, parece servir de condicionador do calendário daquilo que é ou não oportuno noticiar, indo ao encontro dos seus hipotéticos pares locais. A verdadeira questão a colocar, é saber se o Partido Socialista Português, num  momento difícil da sua luta pela manutenção do poder, pediu directamente ajuda a Madrid. Se assim foi,  transformou-se num simples ramo regional do PSOE, desta vez  ibérico na plenitude da expressão. Precisamos de saber a verdade que todos adivinham sem o dizer. 

 

Nos tempos da união dualista de 1580-1640, Portugal possuía moeda própria, alfândegas, um império ultramarino governado por lusitanos, esquadra da Coroa de Portugal, leis nacionais, uma burocracia de Estado autóctone. Comparativamente, hoje trazemos nos bolsos moedas com a efígie de João Carlos, comemos e vestimos espanhol, vemos as nossas águas reivindicadas pelos vizinhos, resignamo-nos ao aniquilamento dos nossos centros urbanos pela especulação imobiliária Made in Spain e finalmente, além de termos antigos governantes ao serviço dos interesses económicos vizinhos,  acatamos uma prolixa legislação que formalmente gizada em Bruxelas, serve antes de tudo, os interesses de quem nos vê como uma dependência de terceira ordem. Pelo sacrifício da sua quase milenar independência, Portugal consiste na derradeira oportunidade de manter a já velha unidade espanhola que parece desmoronar-se, devido ás exigências de autonomias onde impera uma grosseira cacicagem devorista que na Europa não tem paralelo. Se por aqui há quem se queixe dos nossos pequenos potentados regionais, aquilo que em Espanha se passa, transcende até ao absurdo, a imaginação mais delirante. A mediocridade, arrogância e boçalidade da classe política vizinha é de pasmar e para tal, bastar-nos-á visionar os telejornais e debates da TVE.

 

Quer queiramos ou não, na TVI as ordens são hoje berradas em espanhol. Para que todos percebam quem manda!

publicado às 15:24

Croniquetas republicanas (15): a tragédia espanhola

por Nuno Castelo-Branco, em 01.09.09

 

J A M A I S ! ! !

 

 Inacreditável! O novo chefe comunista de Espanha, cujo partido hoje também se esconde atrás da anódina sigla de Izquierda Unida, teve o topete de no primeiro encontro com o Rei João Carlos, lhe apresentar o programa "o mais detalhado possível", para a instauração de um "Estado federal, solidário e republicano". Esta gente parece nada ter aprendido com os próprios erros que levaram o país a uma longa guerra civil. O actual e vergonhoso branqueamento do período histórico de 1931-36, durante o qual a Espanha viu repetir por mil no seu território a miséria, violência e todo o tipo de arbitrariedades daquela outra república, a portuguesa de 1910-26, visa tão só fazer regressar o país vizinho à situação anterior ao desencadear da guerra. Sabemos quais as imediatas consequências de uma hipotética queda da Monarquia: secessão imediata de algumas das autonomias e seguidamente, o início de um perigoso conflito interno pela delimitação de fronteiras e partilha de recursos. 

 

O que verdadeiramente importa a Portugal, é a  equívoca expressão de Estado federal que vindo da tradição de certos sectores que para isso trabalham há mais de um século, pretende com este sofisma, a pura e simples liquidação do nosso país e da sua independência. Nada mais é, senão um mal amanhado sucedâneo de outros iberismos passados, desde as uniões dinásticas tardio-medievais, à oferta da coroa a D. Fernando II e a D. Luís I. Projecto alternadamente almejado ou proposto pela direita e pela esquerda dita moderada, surge agora - tal como em  1936 -, pela voz do PCE,  aliás I.U.  Tal como o seu correspondente lusitano, o PCE/IU é um partido ultra minoritário mas com uma desproporcionada audição na sociedade espanhola, beneficiando da cobardia e  dos descabidos "complexos de esquerda" por parte das principais organizações partidárias do arco constitucional - o PSOE e o PP -, sempre prontas a contemporizar com a velha chantagem moral que significa uma auto-vitimização daqueles que foram os prestimosos carrascos da democracia. 

 

Quem hoje  visione os programas do Canal de História, absurdamente submetidos aos ditames de uma suspeita selecção madrilena, não deixará de verificar com espanto, a descarada manipulação da verdade dos acontecimentos passados, re-interpretados ao sabor e interesses do sector hoje representado precisamente pelo PCE/IU. Em tudo o que se refere ao período de 1931-39, "los rojos" surgem como democratas sacrificados ao ogre fascista, como se tudo aquilo que em Espanha se passou nos cinco anos de república, não tivesse sido o rastilho que fez estourar o conflito que dlaceraria o país. Nunca se fala na grande intervenção política, económica e militar de Estaline e dos seus brutais comissários russos e do PCE que acabou por dominar totalmente o regime, comprometendo-o perante o resto do mundo. Aqui e ali surgem simulacros de verdades sectoriais, como as Brigadas Internacionais - um punhado de voluntários, numa guerra de centos de milhar -, oriundos dos países do negregado Ocidente capitalista. Dos russos, dos seus tanques, metralhadoras, canhões e aviões, nada!  Do roubo do ouro do Banco de Espanha, saqueado pela URSS e jamais devolvido, nem uma palavra. Dos massacres ocorridos antes e durante a Guerra Civil, apenas contam aqueles cometidos pelos franquistas, focando-se - para atemorizar os supersticiosos, -  as execuções e violações da autoria de los moros de Franco. Dos assassínios de deputados da direita da república, dos ataques e saques à propriedade civil e da Igreja, o oblívio. As brutalidades acicatadas em pleno Parlamento pela "Pasionaria", as graves responsabilidades de Carrillo e dos militares comprometidos com o PCE e satélites, o mais absoluto silêncio! Mas isto consiste num problema interno dos espanhóis que cedem facilmente à moda do tempo, com um encolher de ombros que pagarão caro.

 

Pior que tudo, surge agora com inaudita frequência, a legendagem dos programas de língua inglesa exclusivamente em espanhol, num claro desrespeito pelos consumidores portugueses obrigados a paulatinamente se irem habituando à completa subalternização do seu idioma. A isto, juntemos as rajadas de imundos anúncios publicitários tagarelados em algaraviada castelhana e sem qualquer interesse para uma programação dita de formação cultural, transformando o Canal de História numa mera sucursal da TVE no território português e ainda por cima, sob o despótico controle da costumeira minoria hiper-activa que por cá também temos a pouca sorte de conhecer. Torna-se ridícula esta cedência dos interesses económicos aos radicais do dito politicamente correcto e em simultâneo, alargar-se o espaço comercial da venda da banha da cobra. Estranha coligação esta, sobretudo desculpabilizadora não  se sabendo bem de quê.

 

A discussão do Estatut catalão, agendada para os próximos tempos, poderá despoletar o processo de implosão de Espanha  que paradoxalmente, conhece um brilhante período de desenvolvimento, consolidação do sistema representativo e reencontro com a história que dela fez uma grande potência. Se a Monarquia dos Bourbons permitiu à Espanha ser aquilo que é hoje, os sectores que visam a plena balcanização da península para uma posterior unificação total, há muito descobriram ser a instituição real o primeiro alvo a abater. Com uma república instaurada, cumprir-se-ia fatalmente o projecto absorcionista, tanto mais que é sobejamente conhecida a triste realidade para cá da fronteira, onde pontifica uma classe política incapaz, sumamente ignorante, corrompida pelos eflúvios  inebriantes das promessas  rendosas e sem um claro projecto de renovação nacional. 

 

Após a quase volatilização eleitoral do grotescamente xenófobo e oportunista Carod Rovira - Esquerra Republicana Catalana - , serve agora este desplante do senhor Cayo Lara, para alertar as eternamente pouco atentas autoridades portuguesas. O nosso país jamais deverá ceder à tentação de participar  seja de que forma for, num projecto unificador de antemão condenado ao fracasso e que inevitavelmente conduzirá a uma tragédia interna de proporções inimagináveis. Ainda no último fim de semana, o Tenente-Coronel aviador João José Brandão Ferreira escreveu no Público (edição de Sábado, 29 de Agosto de 2009, pág.35), um claro aviso sem qualquer margem para dúvidas de interpretação. Se Sampaio, Saramago, Mário Lino, o señor Iberdrola Pina Moura e outras parcas do "mundo da plutocracia" caíram na tentação do El Dorado fácil e de acesso restrito, não deverá existir qualquer ilusão acerca da vontade da esmagadora maioria dos portugueses. Não temos qualquer ensejo de reivindicação territorial em Espanha, não cabendo a legitimamente esperada  retrocessão de Olivença neste capítulo. O constante aceno com a patética "questão galega", para mais nada serve senão como um chamariz que bem pelo contrário, facilitaria um certo tipo de regionalização que nada mais significa senão o desmembramento territorial português, em benefício de entidades autónomas do país vizinho. 

 

Tal como há um ano escrevemos aqui,  aqui,  e aqui, o desaparecimento de Portugal integrado numa entidade ibérica, está fora de qualquer cogitação. A alternativa é uma corrida às armas. Se assim o quiserem, assim a terão.

publicado às 16:05

Os historiadores espanhóis manifestam por vezes, algum interesse quanto ao relacionamento que o seu país manteve ao longo dos séculos, com Portugal.
1640, é sem dúvida, a data chave convencionada além Guadiana, que marca indelevelmente o declínio do poderio mundial espanhol. Se a revolta catalã mereceu - dada a proximidade territorial com a França - uma rápida reacção militar e se integrou no conflito espano-francês a decorrer no âmbito da Guerra dos Trinta Anos, a independência portuguesa era de difícil resolução, embora os estudiosos espanhóis ainda a encarem depreciativamente como um mero conflito entre a alta nobreza conservadora e o governo centralizador de Madrid.
O artigo , descreve sucinta e cronologicamente os factos ocorridos, embora a interpretação dos mesmos, peque da habitual parcialidade, omissões várias e alguns erros de alguma importância. Assim, é decerto por mero desconhecimento, que o autor apresenta Filipe II como o herdeiro natural e ..."el mejor situado en cuanto a parentesco"... para assumir a coroa vacante em 1580. O argumento utilizado, pode de facto, ser aplicável ao Prior do Crato, devido à sua condição de filho bastardo do infante D. Luís. No entanto e segundo o autor, a Duquesa de Bragança, seria automaticamente arredada da sucessão, por ser uma herdeira feminina, o que a deixaria em desvantagem sucessória perante o rei espanhol. Neste ponto, o dr. Valladares decerto não desconhece a inexistência da Lei Sálica nos dois maiores reinos da península, até porque no que a Portugal respeita, existia o bem conhecido precedente de D. Beatriz, natural sucessora de D. Fernando I. Torna-se assim evidente que a exclusão de D. Catarina, duquesa de Bragança, se deveu ao exercício de uma clara coacção por parte de quem detinha a força militar e o poder corruptor do dinheiro. Argumentando correctamente acerca de movimentos precursores da fusão dos diversos reinos da península, nomeia sem especificar ..."un nieto de los reyes católicos"... que no ocaso do séculos XV, era o herdeiro dos três tronos. É claro que sabemos tratar-se de D. Miguel da Paz, filho de D. Manuel I e da princesa D. Isabel, herdeira de Castela e de Aragão. O facto de D. Miguel - se tivesse sobrevivido aos seus progenitores - ser o possível unificador da península sob o ceptro de Avis, é para o autor, despiciendo. Compreendemos porquê.
O período efectivo da chamada União Ibérica, não merece senão algumas muito vagas referências, limitando-se Valladares a focar os interesses mercantis de sectores muito localizados de mercadores desejosos do comércio e acesso à prata espanhola, e da nobreza sequiosa de prebendas e desempenho de cargos administrativos na Monarquia dos Áustrias.
Ao longo do texto, esperámos encontrar, mesmo que de forma difusa, alguma menção aos factos que decididamente levaram à colisão de interesses entre os dois reinos e isto mais estranho se torna, por serem tão evidentes e conhecidos. Não há qualquer referência à proibição do rendoso e tradicional comércio com as potências do Norte - a Holanda sublevada e a Inglaterra protestante -, não existe a mínima menção à depredação do poder naval português em empreendimentos de cariz imperial (Invencível Armada, etc) e nos conflitos com aqueles que eram alguns dos nossos mais importantes clientes; não se vislumbra qualquer interesse no estudo da situação criada pelo esvaziamento dos arsenais portugueses, cujas armas foram utilizadas nos campos da Flandres e na guarnição da rede de fortalezas que protegiam os territórios filipinos no norte da Itália e zona renana. O estado de abandono das defesas portuguesas no Oriente, que foram aliás os primeiros alvos dos inimigos de Espanha (antigos clientes de Portugal), levou à total ruína da presença lusa no Índico e Pacífico ocidental, onde ingleses e holandeses instalaram uma nova talassocracia. A perda de vultuosas rendas provenientes do antigo monopólio do comércio com a Índia, China e Insulíndia, levou à inevitável e extrema pauperização do tesouro da coroa de Portugal, com a eclosão de um descontentamento sempre ascendente. O não cumprimento dos juramentos efectuados nas Cortes de Tomar, nem sequer merece uma reflexão sumária e tão mais importante, quando se torna afinal, no móbil ideológico e propagandístico utilizado pelos revolucionários de 1640, na sua acção diplomática em toda a Europa.
Já na fase pós-1º de Dezembro, o autor vai divagando acerca ..."del nuevo régimen bragancista: una monarquía limitada por la tradición, respetuosa con las inmunidades estamentales y regida por unos consejos integrados por la nobleza". Desta forma, o dr. Valladares parece não compreender o transcendente suporte que o trono dos Bragança recebeu por parte daqueles a quem os espanhóis habitualmente chamam de "poderes fácticos", isto é, os interesses comerciais, a nobreza administrativa e militar e a Igreja. Não parece entender o aspecto chave de toda a questão, até porque todos os conflitos internos do Estado espanhol, giram até aos nossos dias, em torno da velha questão dos "fueros".
A evidência de todo o Império colonial luso ter aderido ao novo estado de coisas, não merece qualquer relevo e isto é demonstrativo, de uma verdadeira incompreensão da situação vista pelo prisma português. É que a viragem do interesse da expansão para a zona do Atlântico, já era notória no reinado de D. João III e a aventura africana de D. Sebastião, pode talvez, ser encarada neste âmbito de consolidação de posições de controle de uma nova área de influência. Assim, as boas relações com as potências marítimas - que para grande alívio dos governos de Lisboa foram reduzidas, décadas após a Restauração, a uma Inglaterra interessada na manutenção de um Portugal independente -, não são compreendidas à luz do interesse do estado português. Este aspecto é tão mais relevante, porque é bem conhecido dos estudiosos além Pirenéus, como condição sine qua non da política externa nacional desde 1372, e que chegou sem fissuras ao século XXI.
As explicações relativas às tentativas diplomáticas para a reincorporação na coroa de Filipe IV, são igualmente nebulosas e inconsistentes, uma vez que versam repetidamente, a correcção do caminho trilhado por Madrid, que rasgara o acordado em Tomar. Assim, o texto menciona o objectivo de Filipe IV, consistindo aquele em ..."restaurar un patrimonio usurpado y tiranizado para devolver a los portugueses a un gobierno legítimo y justo basado en las leyes y tradiciones de Portugal". O autor não tem em conta a profunda clivagem ocorrida quando da tentativa de colocação em prática da chamada União de Armas gizada por Olivares, talvez a faísca que ocasionou a explosão da revolta. Esta política de assimilação, pressupunha um esforço militar colectivo e necessariamente, a redução das leis de todos os reinos componentes da Monarquia, à lei geral de Castela.
Não pretendendo discorrer muito mais acerca do texto, deparamos também com a habitual minimização do factor militar. No entanto, é sabido que os grandes confrontos ocorridos após a morte de D. João IV e em plena regência da rainha D. Luísa, fizeram ruir a esperança espanhola numa rápida resolução bélica do conflito, dada como garantida por Madrid. É certa e infalível a costumada menção ao factor da intervenção inglesa - justificando-se airosamente as estrondosas derrotas do exército espanhol - sem manifestar qualquer referência ao tremendo esforço português, que pagou caro em sangue e em bens, as vitórias que de tão incontestáveis, ditaram o sucesso em 1668. Este esforço militar não se fez sentir apenas na defesa da integridade do território metropolitano, pois foi também evidente na defesa do Brasil face à ameaça holandesa - a grande potência naval daquela época - e à posterior reconquista de todos os territórios do nordeste ocupados, assim como a expulsão dos batavos de Angola e S. Tomé. O empenho da nova dinastia - uma das grandes casas senhoriais da península, senão a maior - na consolidação da independência, se ditou a sua ruína financeira, foi a base sólida que fez dobrar a vontade espanhola. A essa energia e porfiar de esforços e sacrifícios, deve Portugal a sua existência como país e nação independentes.
Este texto publicado pela Clio, é uma vez mais, um já habitual reescrever da História. Uma história que não é agradável para alguns, mas que deverá ser sempre vista sob o crivo da verdade.

publicado às 11:53






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