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Entre 13 de Junho e 26 de Julho participarei no Study of the U.S. Institutes for Scholars on Foreign Policy, para o qual fui seleccionado pela Fulbright Commission Portugal, Embaixada dos EUA em Portugal e U.S. Department of State e que este ano é organizado pela University of Delaware. Trata-se de um programa que compreende dezenas de conferências e seminários e visitas a instituições académicas, governamentais e não-governamentais e que tem como como principal objectivo conferir aos seus participantes conhecimentos que permitam melhorar a qualidade do seu ensino e investigação sobre os EUA e, especificamente, sobre a política externa do país. Podem encontrar mais informações no site da Universidade da Beira Interior.
Nada mais nada menos, senão bombas atómicas emprestadas ou alugadas (sic), tallvez num sistema lend & lease ou rent a car.
O Nobel da Paz Sr. Walesa, ainda não entendeu algo que parece evidente a qualquer aluno do ciclo preparatório: a utilização de uma arma nuclear, por muito táctica que esta seja, poderá advir de um momento furtuito ditado pelo desespero. Enganam-se aqueles que julgam impossível uma escalada. Ou anda alguém a acicatar o Sr. Walesa a ouvir empolgantes discursos bomben mit bomben, ou então, pretenderá o ex-sindicalista-presidente uma Polónia ainda mais deslocada para ocidente, com capital em Móstoles, Voisins-le Bretonneux ou no Cacém?
Há uns bons aninhos, em plena conferência inter-aliada, o sr. Roosevelt irritou-se com a resistência britânica à expulsão de dez milhões de alemães radicados na Silésia, na Pomerânia e Prússia Oriental e exigida cedência daquelas terras à futura Polónia sovietizada. Discutia-se então a política do estabelecimento da Polónia mais a ocidente, compensando-a dos apetites vorazes que o Kremlin manifestava pela sua parte oriental, obtida em 1939 quando da celebração do pacto Ribbentrop-Molotov:
- Winston, afinal onde é que ficam esses territórios?, perguntava o então residente na White House.
O Franklin em causa não fazia a menor ideia do que estava em causa e pelos vistos tem hoje um brilhante seguidor quanto a gaffes que metam a Polónia na liça. O sr. Biden, decerto um esmerado conhecedor da geografia, decidiu retirar Portugal do rol dos países europeus em dificuldades, substituindo-nos pela Polónia.
Grandes aliados temos nós além-Atlântico, os amigos são mesmo para as ocasiões.
Um país que muito lucra com o turismo, tem os seus aeroportos pejados de nazarins-rumis em fuga para a Europa e Estados Unidos. Um país onde grande parte da economia depende dos serviços, com os hotéis, resorts, bazares, souks e bancos mais silenciosos do que a Esfinge. O Planalto de Gizé ao abandono das areias. O Vale dos Reis sem vivalma. Karnak-Luxor às moscas. Abu Simbel entregue aos lacraus e escaravelhos. O Museu Egípcio do Cairo, alvo de saqueadores de tesouros outrora perdidos e há pouco encontrados.
A Praça Tahrir tornada num parque de campismo. Tudo normal. Entretanto, aqui está uma democrática e tradicional hipótese a considerar.
O cada vez mais esquisito Público(zinho), prossegue o ensimesmamento copy-paste da "revolução" do Nilo. Até à colocação da última pedra que feche o acesso ao sarcófago, há sempre esperança de pôr a mão no ouro alheio. Volatilizadas as "multidões de milhões" que não passaram de milhares e após a 2ª Batalha das Pirâmides em que os cameleiros fizeram das suas, resta-lhes um estouro num pipeline. Vão mesmo ter de engolir a transição, ordeira como a todos - eles e nós - convém. Lá está a tropa a vigiar e a dizer o que se pode ou não fazer. Péssimas notícias para os do "espírito de Munique" e umas tantas cólicas para umas certas hirsutas barbichas, iconoclastas de "coisas ímpias".
Entretanto, a insignificante "Europa" apresenta pedidos e exigências, como se o tempo dos couraçados da Royal Navy nos molhes de Alexandria, ainda fizesse bater as horas do dia. Já não há farol que guie Merkels, Sarkozis e outras tantas vacuidades aflitas que melhor fariam em documentar-se, mesmo se apenas recorrendo às aventuras de Tintim. Já seria muito.
A "revolução" não está a correr como queriam? Parece que que não.
Em 26 de Setembro de 1777, o exército britânico ocupava Filadélfia, a capital provisória dos já proclamados Estados Unidos da América. A primeira fase do conflito indiciava uma vitória lealista sobre os insurrectos, dada a desigual correlação de forças em terra e o total controle da costa por parte da Royal Navy. Aproveitando o momento ideal para uma desforra das consecutivas derrotas sofridas ao longo de todo o século XVIII, a França, a Espanha e mais tarde a Holanda, aliaram-se no esforço de guerra contra a Inglaterra, acabando por conseguir a vitória militar em 1781. Dois anos mais tarde, o Tratado de Paris reconhecia a independência dos Estados Unidos da América.
Dado o controverso historial contido em mais de dois séculos de vida como entidade de direito internacional, será apenas por mera curiosidade o exercício de imaginação de uma História diferente. Um conflito onde a Inglaterra tivesse saído vitoriosa, embora não significasse a definitiva morte do projecto independentista, teria contudo criado uma realidade política muito diversa daquela que hoje conhecemos, provavelmente com vários países independentes e com fronteiras que apenas podemos adivinhar. Possivelmente não teríamos de suportar uma imunda subcultura do reles mais imediatista - criada pela massificação lógica do gigantismo - e descansem os aficcionados do conforto, porque as 501 existiriam de qualquer forma. O senhor Obama poderia ser gestor de uma empresa de produtos dentífricos, o senador McCain um reformado membro das forças armadas americanas da rainha e a senhora Palin, quem sabe, hoje desempenharia as importantes funções de coordenadora de uma equipa de manicuras e maquilhadoras. Na pior das hipóteses trabalharia num talho, dado o seu conhecido fascínio por esquartejar animais.
As agressões ao longo de dois séculos, o estendal de preconceitos espalhados em todo o mundo, a alarvidade no destruir de tudo aquilo que não se guie pelo seu modelo e as crises políticas e económicas a que o sistema gizado pelos poderes fácticos em Wall Street tem conduzido o planeta, arrastando centos de milhões para a pobreza e incerto futuro, quase me faz desejar a urgente invenção da máquina do tempo, para que possamos fornecer a Lord Cornwallis todas as informações possíveis - e algumas armas modernas, se possível - para a derrota de Washington e dos rebeldes. O mundo não seria hoje um local menos aprazível.*
* Nada de confusões. Apesar de tudo sou pró-americano, pois não existe alternativa possível.