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Quando ouvir de nada serve

por John Wolf, em 30.04.18

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Já estamos habituados. Ouve-se muito em Portugal. Escutam-se uns. Filmam-se outros. Criam-se comissões. Fazem-se perguntas. Mas os resultados são fracos. Não interessa de que bancada parlamentar se fala. Não importa qual o partido político em causa. A soma final é igual a zero. Zero à Esquerda e Zero à Direita. E assim, sem grande sobressalto, escutaremos Manuel Pinho, como tantos outros que já falaram e ofereceram a sua versão corroborrada pelo bom nome e a verdade única que certamente sai pela boca fora. O cidadão português, visado mais do que os outros pela falência ética dos governantes, já se deveria ter indignado de um modo transversal e arrepiante. Refiro-me à podridão sistémica que contamina há décadas a realidade política nacional. Os parlamentares já não podem invocar imunidade seja de que espécie for. Estão comprometidos, mesmo que em conluio abstinente, mesmo que o assunto em causa nada tenha a ver directamente com a sua bancada. A casa da representatividade legislativa, de onde emanam as lideranças, deveria demitir-se em bloco. O mês de Abril, que serve para evocar lirismos e sentimentos de fraternidade, não passa de uma farsa. Há muito que o espírito e corpo da Democracia são postos em causa pelo vil desempenho de lideres no governo ou pela oposição. Assistimos a um festival sem fim de corrupção e transgressões. Confirmamos a associação insidiosa de toda a classe política que não ousa sair à rua em causa própria. Amanhã é feriado. Dia do trabalhador e de uma mão cheia de ladrões.

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publicado às 17:50

Respeito pelo peixinho, por favor!

por John Wolf, em 04.01.13

 

 

A Sílvia Alberto esforça-se por demonstrar que tem "respeito" pelos pescadores. É uma atitude do género; "até gosto de peixe, mas não gramo o cheiro, não lhe toco. Por isso peço à Amélia da praça para amanhar o Robalo...com respeito, por favor". Que caldeirada é esta? Se a intenção era fazer "render o peixe", enganáram-se com estas postas, pescadas da televisão, das redes apertadas onde as celebridades são capturadas. E há calinadas pelo meio - "Não conseguia viver na Alemanha porque não tem mar" - a Alemanha não tem mar? E foram os pescadores que chegaram à Índia? Mas há requinte em tudo isto. São pormenores que nos distraem das bocas formadas à meia-volta. São fait-divers enrolados pela passadeira vermelha, quase ofensivos para a já mui sofrida indústria pesqueira. Será a Sílvia Alberto a nova embaixadora do Carapau? As palavras que profere são anzóis que servem para pescar peixinhos da horta. O resto são detalhes de design que não escapam ao meu olho de linguado, de linguareiro. O sinal de beleza da face, imagem de marca da Marilyn Monroe, encontra conforto na repetição. No cardume de pontos colados no uniforme da menina. Eu sei que estamos todos desesperados, mas não valia a pena um ensopado de esguia tão aguado, tão carente de nutrientes. 

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publicado às 14:59

Cavaco Silva à hora do Vitinho

por John Wolf, em 01.01.13

 

Aguardo ansiosamente pelas 21h deste primeiro dia de 2013. Não prego olho há várias noites. Faço directas para esse directo. À hora do Vitinho, o Presidente da República dirige-se-á à nação com a sua mensagem de ano novo. De acordo com a RTP, Cavaco Silva "traz-nos o seu tradicional voto de bom Ano Novo". O que querem dizer com tradicional voto? Sinto um registo mordaz nesse anúncio. Um certo cinismo bélico proveniente da Av. Marechal Gomes da Costa, lá para os lados da RTP. Mais do mesmo? Será isso que transforma o entediante em tradição, ano após ano, mandato após mandato? E voto? Será uma eleição de boletim único, individual. Este tipo de singularidades faz-me lembrar uma afirmação deliciosa proferida pelo Prof. Ernâni Lopes no exercício de funções não governativas, e que tive a oportunidade de registar para meu bel-prazer semântico e filosófico - "concordei em tomar a seguinte decisão". Mas parece que estamos sujeitos a um outro género de inconsequência, uma coisa impensável que dá azo a especulações. Por vezes as "não decisões" são mais danosas que as convicções planas. De uma forma ou outra, o país não será reembolsado com o achocalhar das hostes políticas de um país sujeito a uma trela. Uma corda de enforcado ainda mais apertada pelo tabu da imobilidade. A essa hora escutaremos uma homília que não mexe em nada, que não vai dar de vaia, que não vai agitar as almas sequer. Cavaco Silva, no exercício das suas prerrogativas, muito raramente fez algo que pudesse ter um efeito instigador de novas soluções. Seja qual fôr a tonalidade do quadro que se quiser pintar, parece que estamos na presença de uma natureza morta. O revólver da roleta que nos amedronta tem balas de pólvora seca. Uma bala preventiva, e uma outra disparada primeiro para se perguntar depois. Pelo andar da carruagem, e à luz da tradição, o futuro será relativamente benigno no entender do Presidente da República. Imagino, caso haja um pouco de consciência ética ou política, que o Presidente da República se recorde que esteve no outro lado da emissão e que também contribuiu para afundar o país. A mensagem de ano novo, a ser proferida em abstinência e respeito, deveria acontecer diante de um espelho, no bairro de enganos virado ao avesso, onde agora residimos.

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publicado às 15:21






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