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Portugal na mata do BCE

por John Wolf, em 26.10.17

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Portugal faz parte da Zona Euro? Resposta à pergunta: pela total ausência de comentário da parte do António Costa ou Mário Centeno em relação à redução do programa de estímulo do Banco Central Europeu (BCE), eu diria que não: que Portugal não faz parte da Zona Euro ou mesma da União Europeia. Enquanto celebram nas televisões o pagamento ao FMI de mais uma prestação do resgate imposto pela Troika, o governo deveria acautelar-se com a decisão tomada hoje pelo BCE. Para todos os efeitos práticos e monetários, os juros de dívida dos títulos de tesouro de Portugal têm-se mantido naqueles valores reduzidos, irrisórios até, porque a mão da ficção monetária do BCE tem feito a sua parte - tem ajudado bastante. Mas a bengala comprida de ajuda aos países em apuros foi agora desbastada, está mais curta, cada vez mais curta - 30 mil milhões de euros mais curta. Significa isto que Draghi e companhia querem acreditar que as economias em causa já têm pernas para andar. O BCE, que tem um mandato parecido com o da Reserva Federal dos EUA, procura fundamentalmente atingir dois objectivos; o pleno emprego e a estabilização de preços, ou seja, um nível de inflação que se coadune com a actividade económica. O governo de Portugal, como aqueles de Itália ou Grécia, viveu (viveram) sob os auspícios de protecção do BCE e, o grau de dependência, deseja-se que mingue. No entanto, vejo alguma neblina no horizonte. O impacto económico e financeiro da catástrofe nacional dos incêndios, quando determinado convenientemente pela geringonça, será certamente muito negativo, de vulto. Portugal é assim apanhado em contramão, em contraciclo, no que diz respeito à decisão agora tomada pela BCE. Teria sido conveniente para Portugal uma interpretação que integrasse os mais recentes eventos trágicos do país. Mas não é assim que funciona. Por um lado, e muito bem, o BCE não pode acomodar vontades políticas parcelares, ideológicas ou de governos, seja qual for a sua natureza. Por outro lado, se é a União Europeia (UE) que está em causa, então será o valor mediano europeu, democrático, se quisermos, que deve imperar. E o BCE, sendo independente do poder político, determinará, doa a quem doer, o que melhor serve o desempenho pan-europeu, da Zona Euro. Os lideres políticos de Portugal não podem assobiar para o lado. Uma parte da floresta do BCE foi desbastada. E Portugal foi apanhado. Tem a dívida pública para encarar e o défice orçamental de 2018 para enganar.

publicado às 16:34

Dear Jeroen Dijsselbloem

por Samuel de Paiva Pires, em 22.03.17

I would like to let you know that I have no problem with direct style. Just with blatant stupidity and your inability (as well as of most European leaders) to understand that the roots of the eurocrisis lie in the structural weaknesses of the Economic and Monetary Union.

 

Yours sincerely 

publicado às 18:08

Contrariando a onda dos que consideram Varoufakis um louco

por Samuel de Paiva Pires, em 29.07.15

Ler na íntegra este artigo de Philippe Legrain.

publicado às 16:08

Tsipras vai para casa com pulseira

por John Wolf, em 13.07.15

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Tsipras não serviu o seu povo. Tsipras não vingou a ideologia. Tsipras não pode ser considerado um herói da Esquerda. Após 6 meses de desgaste, alegadamente conducente à libertação da Grécia, Tsipras regressa a casa com um pacote de Austeridade ainda mais exigente. A teoria dos jogos de Varoufakis não funcionou. Foi uma roleta sem russos. Mas isto é apenas um lado da história. Do outro lado do balcão assistimos a uma Europa vergada pela política de cosmética, do Euro a qualquer preço, da União a qualquer custo. Daqui por 3 meses regressaremos ao mesmo confronto de inoperâncias, a igual défice de confiança e à uber-falência da Grécia. A capitulação grega é completa e deve ser considerada humilhante por aquele país. Veremos como o parlamento se irá orientar. Veremos como reagirá um povo traído em Referendo. Fui e sou adepto da ideia de ruptura, do reset de um país, da reconstrução da efectiva soberania, do regresso ao Drachma. A União Europeia acaba de adiar a inevitabilidade da falência que não pertence apenas aos gregos. O resgate, assim como outras modalidades de ajuda, não passa de uma pulseira que acorrenta não apenas o futuro dos helenos, mas de todo um continente.

publicado às 12:12

Grécia - o canário na mina chinesa

por John Wolf, em 08.07.15

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Uma visão exclusivamente eurocêntrica do mundo implica imensos perigos. O drama que assola a Grécia e que implica substantivamente o resto da Europa, deve ser interpretado à luz de um quadro maior de consternações. Vou pedir emprestada a expressão em língua inglesa para retratar a crise grega no âmbito de uma visão panorâmica, global - a Grécia é um canary in the coal mine. Enquanto Tsipras e Juncker, entre outros protagonistas, roubam as atenções, uma crise de proporções avassaladoras está a atingir velocidade de cruzeiro. Os mercados bolsistas chineses encontram-se em processo de melt-down e os títulos accionistas têm registado invulgares níveis de volatilidade. Enquanto o Banco Central Europeu tenta estabilizar as economias em apuros da Zona Euro, procedendo à compra de títulos de tesouro, o Banco Central da China vai mais longe na expressão da mesma ficção monetária e estabelece arbitrariamente o preço das acções das empresas cotadas em bolsa. Por outras palavras, as autoridades chinesas tudo fazem para salvar os mercados, mas não a economia. As reformas estruturais que são requeridas estão a ser obviadas através de um mecanismo de manipulação da bolsaMeus senhores, corremos perigos reais. As poupanças dos cidadãos daquele país estão a ser destruídas e quando o pânico se instalar não vai haver Praça Syntagma que nos valha. Enquanto os gregos se queixam do défice de Democracia na Europa e apelidam de terroristas os credores, os chineses nem sequer têm direito de resposta. O governo da República Popular da China quando quiser esmagar, não tem de pedir autorização a quem quer que seja. A Grécia nem sequer entra nas considerações orientais, mas o oposto não podemos afirmar.

publicado às 11:11

Deliciosa ironia

por Samuel de Paiva Pires, em 30.06.15

Adoro a suprema ironia de ver direitistas supostamente eurocépticos ou, pelo menos, muito críticos da União Europeia, a defender precisamente as instituições europeias nesta tragédia grega. Ao menos os comunistas são coerentes: criticaram a moeda única ainda antes desta entrar em circulação e continuam a criticar os euroburocratas e os maus líderes europeus (sim, estou a pensar em Merkel) que de há anos a esta parte vêm enterrando o projecto europeu.

publicado às 17:37

O impacto grego no Partido Socialista

por John Wolf, em 18.06.15

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O Partido Socialista (PS) é muito rato e sabe muito bem montar uma armadilha. O programa eleitoral do PS já está a assumir um cenário de perdas avultadas para Portugal caso a Grécia venha a escolher a porta de saída do Euro. E isso é muito conveniente para poder sacudir a água do capote quando as coisas começarem a dar para o torto numa eventual legislatura socialista. Já percebi que os gregos vão ser pau para toda a obra socialista. António Costa poderá justificar os desvios orçamentais e o despesismo público tendo o alibi Tsipras sempre à mão. A saída grega custaria mais de 15 mil milhões de euros? Como chegaram a este número (inflacionado)? E levaram em conta a desvalorização do Euro face ao dólar americano, a título de exemplo? Existe uma outra dimensão que os economistas-socialistas parecem descurar; a fuga de capitais da Grécia que tem estado em crescimento acentuado desde Setembro de 2014 não significa necessariamente a dissipação de fundos. Esses dinheiros não desaparecem. Estão a migrar para outros países da zona Euro. Um interessante exercício a realizar seria apurar o impacto monetário posítivo do descalabro grego nas economias dos outros países. Tsipras fala de solidariedade e Democracia, mas encosta-se a potenciais investidores ideologicamente questionáveis. A Rússia não é uma democracia e assume uma forma de capitalismo que roça o hooliganismo de Estado. O PS, nesse documento prospectivo, deveria também elencar os desvios doutrinários, os atalhos ideológicos da Esquerda oportunista que Tsipras encarna. Em nome da objectividade. Em nome de Portugal. Em nome da União Europeia. Em nome de Mário Soares. Em nome daquilo que bem entenderem.

publicado às 11:46

Tsipras, o incendiário da Europa

por John Wolf, em 01.06.15

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Amanhã é o primeiro dia do resto das nossas vidas - bem que podia ser o título da canção para acompanhar o filme de Tsipras e a lenda da Grécia no Euro. Mas antes de continuar a insistir no lirismo desta saga, convém sublinhar o seguinte respeitante a uma eventual saída grega do Euro. Em primeiro lugar, a mesma já está a decorrer. Há largos meses que milhares de milhões de euros têm vindo a fugir daquele país. As quantias detidas em depósitos bancários têm vindo a diminuir a um ritmo assinalável, mas não significa que tenham sido apagadas do balancete da economia europeia. Bem pelo contrário. Esses dinheiros foram transferidos para outros destinos onde o Euro é a divisa oficial. Por outras palavas, os outros países da Zona Euro têm beneficiado com este processo de letargia política e monetária. A máxima tempo é dinheiro serve na perfeição para diagnosticar metade do problema - a saída de capitais da Grécia e não o inverso. Segundo as últimas confissões de fontes oficiais, a haver uma saída grega, Tsipras e o que restar do seu governo, terá todo o interesse em infligir os maiores danos possíveis aos países da zona Euro - os únicos responsáveis por todos os males e aflições da nação helénica. De fonte de inspiração para revoluções ibéricas e não só, Tsipras passará a ser o arguido principal de algo mais gravoso - o semear de caos e dissensão na Europa. Nem vou arrastar outras nuances de vendetta, como o abraço fraterno a Putin e a clara demarcação em relação ao projecto de construção da União Europeia. Poderemos afirmar, com pouca margem de reserva, que um desfecho dissidente da Grécia, servirá em última instância para o início de algo negativo - o redesenhar de fronteiras ideológicas acentuadas. A traição da Esquerda será o mote para o avanço de propostas ultra-conservadoras um pouco por toda a Europa. Nessa medida, Tsipras pode ser chamado à liça como obreiro da ascensão de regimes deploráveis, nacional-facciosos. A Esquerda revolucionária que invoca a libertação esclavagista poderá bem ser a responsável pela morte do consenso, as facadas dadas na Europa que ostenta os falos maiores da Democracia. Não esqueçamos por um instante sequer que estes lideres foram eleitos. Emanam da opção terrena, da escolha livre e iluminada de quem acredita em ilusões, mas que encontrará no seu caminho um destino mais penoso. Legítimo, dirão alguns, mas pesaroso.

publicado às 19:13

Show me the money, Varoufakis!

por John Wolf, em 27.02.15

500-euros

 

Provavelmente da próxima vez que escrever uma pequena nota neste blog estaremos todos felizes e contentes no mês de Março. O Banco Central Europeu (BCE) havia anunciado, e vai cumprir: irá dar início ao seu programa de quantitative easing no mês que está prestes a chegarOs mercados financeiros e accionistas irão bombar como um drogado que acaba de receber uma injecção no veio central da sua existência. A compra de títulos de tesouro por parte do BCE é um doce para os especuladores, mas não gera efeitos imediatos na economia real. Vimos como foi nos EUA, mas a Europa será um caso à parte. Na América puseram o dedo na ferida, por exemplo com a intervenção no âmbito dos Mortgage-Backed Securities (MBS). Contudo, na Zona Euro poderemos esperar por um efeito que não carece de uma explicação complexa. A injecção de liquidez, por via directa ou indirecta nas economias, e pela compra de títulos de tesouro dos países da Zona Euro, afecta o valor das divisas subjacentes. Neste caso, poderemos contar com uma ainda maior desvalorização do Euro. Por um lado, essa condição cambial ajuda as exportações da Zona Euro, e, por outro lado, uma vez que a deflação parece reinar na Europa, existe margem para aumentar os níveis de oferta de liquidez. A inflação até é desejável, e por mais do que um motivo, mas sublinhemos o facto das dívidas dos Estados serem mais facilmente mitigadas se a divisa em que as mesmas se expressam menos valerem. Aquilo que vai ser iniciado em Março pelo BCE não irá clarificar a complexidade da situação económica em que se encontra a Europa. Sempre que a economia real não funciona, os bancos centrais escrevem ficção  - imprimem dinheiro e passam a ser uns mãos largas como se isso resolvesse os problemas estruturais das economias. As bolsas europeias decerto que irão bombar, e os hedge funds e especuladores farão as suas apostas certeiras, mas o cidadão comum será excluído dessa festa. A Grécia deixar-se-á envolver nesse turbilhão de ilusões e aproveitará o mesmo para extrair dividendos. Varoufakis e os demais pseudo anti-capitalistas dirão que é um claro sinal de recuperação. Mas os mais avisados sabem que isso não é verdade. Aqui deixo o meu aviso. E eu nem sequer sou um especialista na matéria.

publicado às 22:53

As bombas do Banco Central Europeu

por John Wolf, em 18.09.14

Quando a economia real falha, os economistas são os primeiros bombeiros a ser chamados. Na realidade, é como pedir ao incendiário para apagar o fogo. Há qualquer coisa que falha nesta abordagem. Há algo cognitivamente deficiente nesta receita, na terapêutica. O Banco Central Europeu (BCE) embarca hoje num longo comboio de ficção monetária. Como a dívida dos Estados da Zona Euro está aos níveis que se conhece, e a deflação é a nota dominante, os banqueiros centrais ajuizam e decidem a injecção maciça de dinheiro, através de meios mais ou menos convencionais. Ou seja, quando os políticos falham, o ónus da recuperação económica é transferido para a orla financeira. Contudo, as operações em causa terão impacto diminuto na economia real. Não existe uma relação linear entre Long Term Refinancing Operations (LTRO´s) e a geração de emprego, a título de exemplo. As medidas têm mais impacto nas contas a apresentar, nos balancetes, e, desse modo, estão mais em sintonia com as exigências orçamentais dos Estados-membros relativamente aos seus níveis de dívida e deficit orçamental a cumprir.  É neste desfasamento entre o que se decide a montante e o que acontece a jusante, onde reside o cidadão comum. Mas existem alternativas? A resposta não é fácil. Apenas sei que se todos o fizerem em simultâneo, o processo não produz os resultados esperados. A Reserva Federal dos EUA, embora tenha anunciado uma certa intenção de abrandamento dos estímulos à economia, em abono da verdade, a torneira não vai ser fechada assim tão cedo. Na corrida ao fundo da desvalorização das divisas, veremos quem consegue mais celeremente realizá-la: se a Reserva Federal leva a melhor ou o BCE é obrigado a ir ainda mais longe do que a compra directa de títulos de tesouro na Zona Euro. Nem sequer trago à baila outras considerações como a libra esterlina, ou para idêntico propósito, as atribulações provocadas pelo referendo na Escócia. Daqui por alguns anos, Vitor Constâncio (quando regressar a Portugal) será mais um a declarar que não sabia de nada. Que não decidia. Que era Draghi que pensava tudo. Que era o presidente do BCE que mandava.

 

(fotografia Martin Leissl/Bloomberg)

publicado às 09:05

O erro da narrativa da desresponsabilização da Alemanha

por Samuel de Paiva Pires, em 17.07.14

É cansativo ver repetida, quase ad nauseam, a ideia de que a Alemanha não tem qualquer responsabilidade na crise que o Velho Continente vem atravessando. Desta feita, e motivando este meu post, li-a num texto do João Távora. Curiosamente, não me recordo de ter visto qualquer dos proponentes desta narrativa suportarem-na com argumentos, dados, factos históricos. A explicação é simples e talvez fique a dever-se ao facto de muitos confundirem as suas crenças e vontade de recriminar Portugal, os portugueses e os seus líderes políticos - que também têm responsabilidades, e muitas, na crise que atravessamos, mas não são exclusivas -  com a realidade: é que aquilo que defendem está errado. É, apenas e só, wishful thinking. Isto motivou-me, já há uns bons meses, a investigar as origens da crise do euro, o que resultou num ensaio que apresentarei nesta conferência.

 

Começando no estabelecimento da União Económica e Monetária - em que prevaleceu a visão do Bundesbank de um BCE inspirado no seu modelo, centrado quase exclusivamente na estabilidade de preços -, que não era e continua a não ser uma Zona Monetária Óptima, circunstância agravada pela inexistência de uma união orçamental que permitisse uma gestão macroeconómica conjunta, o que a torna propensa a choques assimétricos; passando por uma fragilidade estrutural essencial para a compreensão da crise, segundo Paul De Grauwe, que é a perda da capacidade de os países emitirem dívida numa moeda própria, emitindo-a numa moeda que não controlam, pelo que estão, assim, mais facilmente à mercê dos mercados financeiros e podem ser rapidamente precipitados por estes para um default; e chegando aos anos da crise do euro, em que o diagnóstico da crise da dívida soberana grega foi erradamente generalizado a outros países, conforme Jay Shambaugh sublinha, servindo como justificação para prescrever pacotes de austeridade e reformas estruturais que, per se, não são suficientes para superar os constrangimentos resultantes das fragilidades estruturais da UEM, conclui-se que estas fragilidades não só resultam da perspectiva alemã aquando das negociações que levaram ao seu estabelecimento, como aproveitam actualmente à Alemanha. Hans Kundnani assinala que a actual situação, com um euro fraco (segundo Andrew Moravcsik, a taxa de câmbio real da Alemanha, actualmente, está 40% abaixo do que estaria se o país ainda tivesse o marco alemão), é a ideal para a economia alemã baseada nas exportações e avisa que o narcisismo económico da Alemanha coloca toda a Zona Euro em causa. Assim, a Alemanha está actualmente numa posição muito confortável, com um euro fraco que favorece as suas exportações, tornando-a a economia mais competitiva da Zona Euro, e, em parte em resultado disto, encontra-se de forma indisputada na liderança política da UE, tendo a cooperação entre países soberanos sido relegada em favor de uma dominação de facto por parte de Berlim. Ulrich Beck resume de forma lapidar esta situação em A Europa Alemã: "Como a Alemanha é o país mais rico, agora é ela que manda no centro da Europa." A austeridade imposta erradamente aos países sob resgate financeiro permite à Alemanha manter este status quo em que, nas palavras de Moravcsik, ao "utilizar uma moeda subvalorizada para acumular excedentes comerciais, a Alemanha actua como a China da Europa."

 

Por tudo isto, caro João, o que é uma fatalidade para nós portugueses – e outros como nós –  é persistir no erro de acreditar na narrativa da desresponsabilização alemã, que não tem correspondência com a realidade. Fatalidade esta que se torna particularmente trágica atendendo a que muitos dos decisores políticos acreditam nesta narrativa, pelo que, ingenuamente ou não, acabam frequentemente a servir mais os interesses alemães do que os interesses das nações que os elegem.

publicado às 18:20

À atenção de camilo-lourencistas e afins

por Samuel de Paiva Pires, em 27.01.14

Como diria o Dragão, "há marasmos mentais que eu, de todo, dispenso." Um deles, muito em voga, tem a ver com a tão propalada necessidade de aumentar a produtividade, que por sua vez contribui para aumentar a competitividade, o que levará, inevitavelmente, ao crescimento económico. Ora, na prática a teoria é outra, por uma razão muito simples: nós estamos inseridos numa zona monetária incompleta e frágil, na terminologia de Paul De Grauwe. Em qualquer zona monetária deste tipo, i.e., onde não existe uma união orçamental nem mecanismos que permitam, por via da redistribuição, disseminar a actividade económica de forma a corrigir desequilíbrios e a evitar ou, pelo menos, tornar menos dolorosos os choques assimétricos a que uma zona monetária destas está por defeito sujeita, a economia mais forte torna-se dominante e gera excedentes à custa dos défices das economias mais fracas. Tal como no Sistema de Bretton Woods os EUA tornaram-se o hegemon, e no Sistema Monetário Europeu esse papel foi desempenhado pela Alemanha, com o Bundesbank a definir as políticas monetárias que eram do interesse da Alemanha, obrigando os restantes países a ajustarem-se a estas, na União Económica e Monetária é novamente a Alemanha o país dominante, consequentemente, sendo o único país com uma política monetária autónoma - com a agravante de, na UEM, termos uma moeda única.

 

Ora, como ainda recentemente assinalou Andrew Moravcsik, o euro está subvalorizado em cerca de 40% em relação à economia Alemã. Quanto aos países da periferia, é razoável estimar que esteja sobrevalorizado também em cerca de 40%. As implicações da entrada do euro foram diversas nestes dois tipos de países. Enquanto na Alemanha aumentou muito a competitividade externa, no caso português diminuiu-a acentuadamente, conforme Luciano Amaral faz notar, colocando ainda a dívida externa portuguesa numa trajectória insustentável, como Ricardo Cabral evidencia

 

O que é que isto significa? Que não há, por muito que queiram, reformas estruturais - por mais que estas sejam necessárias e devam ser encetadas, o que não contesto, bem pelo contrário - e aumentos de competitividade que nos valham se a UEM (e a UE) não for reformada ou pura e simplesmente dissolvida, ou se nós não nos retirarmos desta. Nem sequer uma reestruturação da dívida, mantendo-se tudo o resto igual, resolverá os nossos problemas, podendo apenas adiá-los e a uma nova crise por mais alguns anos. A Alemanha está muito confortável com a sua posição económica dominante, que Hans Kundnani caracteriza como narcisimo económico, e sendo também a potência que, como Ulrich Beck assinala, manda na União Europeia, não é de esperar que altere a sua linha política. Acreditar que, com estes apertados garrotes, é possível aumentar a produtividade e a competitividade e gerar um crescimento económico que leve a uma diminuição acentuada do nível de desemprego e a gerar excedentes que nos permitam pagar a dívida, ou seja, acreditar que podemos tornar-nos iguais à Alemanha, é apenas, como Peter Hall afirma, "outra daquelas miragens que se atravessa no caminho de soluções genuínas para os problemas."

publicado às 15:49

Maçães

por Samuel de Paiva Pires, em 17.12.13

Bruno Maçães: "Mas o que defendi é que não faz sentido criar uma frente comum do Norte contra o Sul, ou do Sul contra o Norte, porque os nossos aliados na UE são os outros 27 países."

 

Outra ideia do séc. XIX é a dos Estados Unidos da Europa. E uma com 25 séculos é a ideia de democracia. Alguém lhe explique que a antiguidade de uma ideia não a desqualifica automaticamente. E alguém lhe explique também que lá por 28 países fazerem parte da União Europeia, isso não quer dizer que sejamos todos assim tão aliados quanto isso e que existem diferentes sensibilidades e grupos dentro deste conjunto de 28 países. Desde logo, os que fazem parte da Zona Euro e os que não fazem. Enfim, apreciava-se um bocadinho menos de submissão e de pedantismo. De caminho, já agora, alguém que lhe envie este artigo de Paul De Grauwe e ele que vá dizer aos países do Norte que a ideia de estarem contra os do Sul é uma coisa do século XIX.

publicado às 19:04

Fim da austeridade não trará crescimento

por João Quaresma, em 09.07.13

«An end to austerity will not boost Europe», por Martin Feldstein (professor de Economia em Harvard) no Financial Times de hoje:


«The eurozone periphery is on a risky path to end fiscal austerity and accept larger deficits. Portugal is the most recent dramatic shift in that direction: Italy, Spain and even France are also abandoning plans to cut spending and raise taxes.
This move away from budget discipline reflects a combination of popular political pressure, more accommodating bond markets and encouragement from the International Monetary Fund.
But ending fiscal austerity is not a strategy of achieving growth. It will reduce downward pressure on aggregate spending but will not lift growth and employment. Instead, it will raise interest rates and threaten a new fiscal crisis. (...)
Rising interest rates could bring back the fiscal crisis of a mutually reinforcing spiral of increasing national debts and rising borrowing costs. That could revive the risk that some countries would be unable to borrow and might therefore choose to leave the euro. If the ECB tried to prevent that despite the lack of fiscal discipline, the result would be escalating rates of inflation.
To prevent this, governments [de Itália, França, Espanha e Portugal] must combine long-run deficit reductions with short-run fiscal stimulus. Slowing the growth of pensions and other transfers would reduce future debt and prevent near-term increases in interest rates. (...)
Policies to allow budget deficits to rise are a dangerous mistake.»


Significativamente, o autor não refere uma única vez nem a Grécia (caso perdido) nem a Irlanda (caso salvo).

publicado às 21:28

Segurem-se bem

por Samuel de Paiva Pires, em 11.05.12

Depois das afirmações de Wolfgang Schauble, agora a notícia de que os bancos já estão preparados para a saída da Grécia da Zona Euro e o regresso ao dracma.

 

A crise do Euro aproxima-se vertiginosamente de um momento chave. Já falta pouco para ficarmos todos a saber se o contágio será real ou não, se a Zona Euro ruirá ou não.

 

publicado às 22:57

Coincidências

por Samuel de Paiva Pires, em 11.11.11

No dia em que José Sócrates formulou o pedido de ajuda externa endereçado ao FMI, eu estava em Washington, tendo até tirado uma fotografia em frente à sede da instituição. Amanhã vou passar o dia em Roma, numa escala de 10 horas a caminho de Tirana, agora que a Itália ameaça fazer ruir a zona euro. Não que eu seja supersticioso. Mas se não acreditam, Daniel Hannan e Camilo Lourenço ajudam a perceber o que está em causa.

publicado às 13:03

Só para ver se eu entendo

por Samuel de Paiva Pires, em 03.11.11

É de mim ou há por aí uma certa esquizofrenia entre muita gente quanto à situação grega? Vejo muita gente que aceita a ideia de que o Euro está fadado a acabar mais cedo ou mais tarde - e eu penso o mesmo - revoltada contra os gregos utilizando o argumento de que a saída da Grécia do Euro pode acabar com a moeda única. Não só este argumento é fantasioso e desprovido de fundamento (como escreveu Anthony de Jasay, ninguém sabe explicar a razão de se efectivar um efeito dominó nem quantificá-lo, nem justificar porque é que um país que representa apenas 3% do PIB Europeu acabaria com a moeda única - além do mais, é provável que, a acontecer o efeito dominó, como a subida das taxas de juro nos mercados secundários da dívida soberana parecem indicar, o BCE comece a imprimir dinheiro para recapitalizar os bancos, ainda que as autoridades europeias receiem o aumento da inflação), como não consigo perceber como é que se pode constatar que o Euro é um projecto político sem aderência à realidade económica, fruto da visão socialista-imperialista da UE, sendo um dos últimos instrumentos para efectivar uma centralização ainda maior do poder na Alemanha e França, e andar a defender a sujeição de povos inteiros à banca que através da dívida pública e em conluio com governantes subsidiou estados sociais que degeneraram em compadrios, corrupção, eleitoralismos e keynesianismos de pacotilha - ou seja, crony capitalism. Já que a UE continua na senda anti-democrática e centralizadora, não se vislumbrando quaisquer planos de contingência para acabar com o Euro, continuo a achar preferível quebrar que torcer. Infelizmente vejo muita gente que prefere torcer, esquecendo-se de certos princípios que diz defender. Mesmo que o golpe teatral de Papandreou venha a ser um flope, as consequências da sua decisão afiguram-se irreversíveis e parece-me que é altura de enfrentar o inevitável que há muito vem sendo adiado, conforme assinala Ricardo Arroja: «A presença da Grécia no euro está terminada e a bem de todos seria desejável que os líderes gregos e europeus se sentassem à mesa, a fim de negociar, controladamente, essa mesma saída.»

publicado às 13:07

Explicando o bailout da zona euro

por Eduardo F., em 31.10.11

 "What if there are no aliens?"

"Then we are screwed!"

publicado às 23:39

Portugal na Balança da Europa hoje

por Samuel de Paiva Pires, em 19.04.11

 

1 - Portugal está, como há décadas não estava, no centro de um complexo tabuleiro político internacional, no qual as potências se mostram incapazes de lidar adequadamente com uma gigantesca reestruturação sistémica que se traduzirá, daqui a uns anos, num sistema internacional com uma configuração muito diferente da que tivemos desde o pós-Guerra Fria, no que à hierarquia das potências diz respeito. Por enquanto, o sistema vai-se tentando preservar, enquanto não sofre uma ruptura que nos levará provavelmente a um novo sistema.

 

2 - Mesmo que o não queira, Portugal é neste momento uma peça essencial no espoletar ou despoletar dessa ruptura, no que à UE diz respeito. Surgindo no horizonte a interrogação sobre a nossa viabilidade financeira enquanto estado soberano, dado o sobreendividamento do estado, famílias e empresas (sendo de salientar o estado, visto que o seu enorme e disforme peso na economia e na sociedade tem vindo a mitigar a margem de manobra para nos reinventarmos e superarmos os desafios que se nos apresentam), somos, neste momento, a pedra de toque para um de dois caminhos: um maior aprofundamento do processo de integração europeia ou a fragmentação do mesmo.  

 

3 - A Alemanha, que é cada vez mais o motor da economia europeia, com os devidos reflexos no campo político, não deseja, de certeza, a fragmentação, mas só continuará a aceitar financiar as economias europeias em recessão a troco de um governo económico de traços ainda pouco conhecidos. O mesmo é dizer que, como é sua tradição, o projecto europeu encontra em cada crise o propulsor de um salto em frente no processo de aprofundamento da integração. No caso, ganha força o ditado "manda quem pode, obedece quem deve". 

 

4 - A viabilidade futura de Portugal depende de uma verdadeira reforma estrutural de todo o aparelho estatal, que diminua abruptamente o peso deste na economia, o que passa por acabar com milhares de organismos, institutos, fundações, câmaras municipais e juntas de freguesia e privatizar a maioria das empresas do sector empresarial estatal. Só isto permitirá libertar recursos e diminuir impostos, assim criando um ambiente de maior competitividade e de incentivo à iniciativa privada, o qual estamos condenados a gerar se queremos que Portugal se mantenha enquanto estado soberano durante as próximas décadas. É que a factura da desgovernação socialista ainda não é totalmente conhecida, e a partir de 2014 vai ser sobrecarregada com as Parcerias Público-Privadas. Se não conseguirmos gerar esse ambiente as empresas não produzirão, não gerarão riqueza, poupança e investimento suficiente para nos permitir liquidar sustentadamente as dívidas que temos.

 

5 - O FMI levar-nos-á a executar medidas neste sentido, por exemplo, flexibilizando a legislação laboral e dinamizando o mercado de arrendamento. Mas muito provavelmente - e infelizmente -, dada a envergadura do disforme aparelho estatal, não sendo possível aos técnicos do FMI aceder e processar toda a informação sobre este, de forma a realizar uma reforma equilibrada, não nos obrigarão às muito necessárias reformas estruturais do estado - até porque têm sido os socialistas os cicerones que vão prestando informações e serão os socialistas a negociar o pacote, pelo que tentarão proteger os seus interesses acima de tudo, e é do conhecimento público que o estado é uma coutada do PS. Precisávamos de estadistas e excelentes negociadores a conduzir este processo. Infelizmente não é o caso.

 

6 - Qualquer Governo resultante das eleições de Junho terá, obviamente, que seguir à risca o pacote negociado com o FMI. E se não tiver noção que terá que efectuar as reformas que acima referi e que a esmagadora maioria da opinião publicada informada proclama, mais vale nem sequer tomar posse. O FMI dar-nos-á um balão de oxigénio, uma margem temporal em que teremos que rapidamente proceder a um reajustamento interno de larga escala. A forma como utilizaremos essa margem temporal pode ser a diferença entre continuarmos a ser um estado soberano dentro ou fora da Zona Euro, e entre um aprofundamento da integração ou da fragmentação europeia. Findo esse balão, que terá também ele que ser pago por todo nós, se Portugal se encontrar na mesma senda despesista e recessiva, dificilmente se manterá soberano sem que seja forçado a sair da Zona Euro e/ou a reestruturar a dívida (que muitos apontam como algo que já deveria estar a ser feito).

 

7 - Se sairmos da Zona Euro, como alguns vão paulatinamente sugerindo, voltando a emitir uma moeda nacional, assistiremos a uma verdadeira catástrofe a todos os níveis. Ficaremos todos milhares de vezes mais pobres. A nova moeda nacional terá um valor reduzidíssimo em face do euro (e do dólar, libra e demais divisas), no qual as nossas dívidas continuarão a ser pagas, logo, multiplicando-se o valor das dívidas pela desvalorização que ocorrerá. As matérias-primas e produtos importados - e é bom lembrar que até para a alimentação dos portugueses precisamos de bastas importações - ficarão insuportavelmente mais caros. No fundo, ocorrerá um drástico ajustamento com uma força, rapidez e impacto sem paralelo, que colocaria o nosso poder de compra em linha com a economia real. Percebe-se que a maior parte dos políticos e comentadores portugueses não queira falar neste cenário. Para bem de todos nós, esperemos que não se concretize.

 

8 - A concretizar-se, tem efeitos ainda mais nefastos para além do assustador empobrecimento em que cairíamos, e que explicam porque também os políticos europeus evitam referir-se a uma saída de Portugal da Zona Euro. A partir desse dia, não teríamos capacidade para pagar a dívida externa, entrando em incumprimento/default, ficando sem acesso a todo e qualquer financiamento nos mercados internacionais, e dada a interdependência acentuada entre as economias portuguesa e espanhola, o impacto seria sentido na restante península. O mesmo é dizer que a Espanha, que, por agora, muitos já vão tendo receio que seja o próximo na lista dos bailouts, provavelmente seria forçada a pedir ajuda externa. Não havendo dinheiro suficiente para resgatar a economia espanhola, os efeitos na terra de nuestros hermanos seguiriam provavelmente a receita portuguesa: saída da Zona Euro com a consequente fragmentação do regime e, por conseguinte, de Espanha enquanto estado soberano. E isto seria provavelmente o fim da Zona Euro e da UE como a conhecemos - o que se lhe sucederia, é uma incógnita, mas porventura seria ou o consolidar do sistema da UE a diferentes velocidades ou uma via mais federalista. Isto se a UE não acabasse mesmo. Novamente, percebe-se porque a maioria dos políticos e comentadores prefere nem sequer pensar nisto. 

 

9 - Tendo sido completamente reorientada a política externa portuguesa com o advento da III República, poderá ter chegado a hora de a reorientarmos novamente. O vector europeísta da nossa política externa está cada vez mais esgotado. E esta, que sempre serviu para que procurássemos no exterior recursos para nos desenvolvermos internamente, precisa de se virar para onde estes existem e onde, ainda por cima, os seus detentores nos são histórica e culturalmente próximos. Sinais neste sentido têm aparecido nos últimos anos, com a valorização da cooperação com o Brasil e países da CPLP. Mas estas relações têm que ser reforçadas e têm que se concretizar e reflectir materialmente, indo muito para além da retórica, por mais difícil que seja a realocação de recursos internos no prosseguimento da nossa política externa. O Atlântico sempre foi o principal vector da política externa portuguesa, até 1974. Está na altura de recuperar esta orientação.

 

10 - Com toda a situação que vivemos, em Portugal e na Europa, mais uma vez fica provado que o estado tem que ser limitado na sua acção e no peso que tem na economia e na sociedade. Ao criar uma enorme rede de dependências em relação a si, retirando liberdade aos indivíduos e empresas, coloca em cheque todos esses dependentes se incorrer em políticas irresponsáveis. Se um indivíduo, família ou empresa tomar decisões erradas, será ele a enfrentar as consequências das mesmas. Se for o estado, e se este tiver uma presença brutal na vida de uma sociedade, como é o nosso caso, todos serão afectados em maior ou menor escala, por mais ou menos culpa que tenham da situação, logo, com mais ou menos justiça. Está à vista de todos que foi isto que aconteceu em Portugal. E é o que acontece inevitavelmente quando os governos são liderados por mentes feridas pelos males do marxismo ou keynesianismo, da incapacidade de reconhecimento dos limites da razão humana, do construtivismo social e de políticas cheias de boas intenções mas que, a mais das vezes, alcançam resultados imprevistos e nefastos. Ao contrário do que a maioria dos políticos e comentadores vocifera, em Portugal nunca houve liberalismo ou o propalado neo-liberalismo, que nenhum dos que utiliza tal epíteto em tom acusatório e moralista sabe o que é. Enveredámos por uma economia mista e deixámos que os socialistas se apropriassem de uma criação do liberalismo, o Estado de Bem-estar ou Welfare State, também conhecido por Estado Social, o qual embrulharam em retóricas demagógicas que, aliadas à retórica anti-fascista (que parece cada vez mais caída em desuso), serviram para que muitos prosseguissem os seus intentos sem serem fiscalizados ou questionados, quer em prol de preconceitos ideológicos ultrapassados, quer em prol de interesses mais ou menos obscuros. Se Portugal quer continuar a ser um estado soberano ao longo deste século, os portugueses têm que começar a preocupar-se a sério com a política, e isso significa não só votar mas também informar-se e fiscalizar permanentemente a acção do estado e do governo.  

 

(também publicado no blog da Causa Liberal)

publicado às 02:17






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