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Os motoristas de viaturas de transporte, sejam taxistas, motoristas de praça ou "Uberistas", são no essencial a mesma coisa, são os herdeiros do cocheiro, com uma pequena diferença: dispõem de mais cavalos.
Para quem é muito jovem, o Chaufeur de Táxi foi peça importante no desenvolvimento da sociedade urbana motorizada. Nas minhas memórias encontro vários Mercedes matateu, com varinas e peixe na bagageira, ardinas que recolhiam os seus jornais e madames a defenderem-se dos maus odores, com um lençinho embebido em água de colónia.
Durante as greves da CP e da TAP faziam corridas ao Porto e a Madrid. Alguns eram figuras típicas da cidade. Lembro-me em particular de um que trazia a mãe, já com mais de oitenta anos, sentada no lugar por trás do seu.
Os apaixonados e os enganados entravam no carro e exclamavam "dê umas voltas sem destino".
Com o correr do tempo, começaram a perder a vergonha dos longos silêncios para fazerem uma prelecção sobre política, segredos ou loucuras.
A verdade é que foram importantes e até na época do 25/4 eram uma das maiores barreiras ao barreirinhas Cunhal.
Entrevistar Cocheiros do século XXI e aproveitar a sua inexperiência para gerar um facto é tudo aquilo que um aprendiz de reportagem não devia fazer. Dá náuseas.
Como não dava votos, ou tiveram medo, os políticos andaram arredados do Relógio.
O primeiro ministro, satisfeito com o desviar de atenções da geringonça, empanturrava-se com uma chinesada e lá ia vendendo o que resta do país às fatias.
Por cá, este povo enjeitado, deixava-se enganar pelas televisões.
Ai a minha terra linda.