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Trump ganhou a Eurovisão

por John Wolf, em 09.05.18

netta-eurovision.jpg

 

A Netta de Israel deve ganhar o certame musical, enquanto Trump achocalha o acordo nuclear respeitante ao Irão. A Alemanha, a França e o Reino Unido, aparentemente fora do baralho da decisão do presidente dos Estados Unidos, acabam por servir o processo com arte e engenho  - o pé ocidental, metido na porta de Teerão, não me parece ser fruto de uma escorregadela, de um desacordo flagrante -, serve o guião do copo meio-cheio ou do copo meio-vazio. O que acaba de suceder, enquanto Pompeo assenta arraial na Coreia do Norte, tem o condão de realinhar a política externa norte-americana. Desde Reagan que poderemos traçar uma continuidade, usando uma expressão académica portuguesa - as constantes e linhas de força da política externa, interrompida pelo duplo mandato de Barack Obama. Ou seja, registamos uma espécie de intervencionismo não intervencionista, que descarta o valor de alianças e tratados, mas que não assume por completo o isolacionismo. A denúncia do "Joint Comprehensive Plan of Action (J.C.P.O.A.)" não significa a ausência de movimento. As sanções económicas do nível red alert, deverão, expectavelmente, provocar ondas em toda a região do Médio Oriente, e em particular agudizar as tensões entre a Arábia Saudita e o Irão que já se encontram em zaragata por procuração, quer na Síria quer no Iémen. Não nos esqueçamos que a Rússia já se encontra sob a égide de sanções dos EUA e a Ucrânia recebe armamento para se defender do agressor. No entanto, ontem houve algumas frases de Trump que foram sacadas da era George W. Bush, quando este apresentou o argumento inatacável da existência, sem margem para dúvidas, de armas de destruição maciça no Iraque, para validar uma operação militar de grande envergadura. Desta vez não me parece que Trump venha a invadir o Irão - os outros que paguem a factura. No entanto, ainda não poderemos definir uma doutrina Trump, mas podemos ensaiar um esboço. Donald Trump joga por antecipação, fruto de uma certa imprevisibilidade, alimentado por uma certa carga emotiva, para depois, analistas e afins, tentarem a todo o custo extrapolar um modelo de racionalidade, parente próximo da estratégia, como se esta existisse na íntegra. Em todo o caso, a excentricidade atípica gera efeitos não estimados e fluxos inesperados. Veremos o que Trump resgata da incursão coreana. Encontramo-nos, sem dúvida, na semi-final do festival Eurovisão da geopolítica. Cada um concorre com a cantiga que lhe convém e no fim porventura teremos mais perdedores do que ganhadores. Como diria Nassim Taleb - Trump doesn´t want to have his skin in the game, mas quer a todo o custo que os outros arrisquem o pescoço.

Photo credits: Metro

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publicado às 13:49


1 comentário

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De Weltenbummler a 09.05.2018 às 18:48

fiz o serviço militar obrigatório em 65 aos 34 anos. recruta na EPC, onde conheci um básico que me espanta ter conseguido chegar ao Carmo.
apesar dos militares servirem para tudo, até para militares mostra como é possível ter antónio das mortes como pm ... etc e tal
se Trump não tem sido eleito não havia notícias proveniente do comité do GULAG. na Cova da Moura um preto mostrava  um 'buraco obama' na estrada.
aprendi na tropa antes de ser fandanga que se parte sempre do pior, que o IN deve ser surpreendido com 'tonsura botoneum braguilharum'.
os xiitas ficam entalados entre Arábia Saudita e P(r)aquistão. a revolução dos 'ai a tola'  lembra as dos castrados de ao 'cuba ou eu' ou do 'rocketman'.
como dizem os cobardes na minha região (agáxeme).
um brasileiro dizia que a 'arabada' não se pode levar a sério, são como preto 'quando não faz cagada no ínicio, faz no meio ou no fim'.
'cada macaco no seu galho'
'em rio de piranhas, jacaré nada de costas'

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